Parece até brincadeira. Os biocombustíveis, até então vistos como uma das alternativas mais viáveis para a substituição dos combustíveis fósseis, agora são bombardeados por críticas, vindas de todos os lados.
Veja abaixo os possíveis problemas gerados pelo crescimento desenfreado do consumo de biocombustíveis e algumas alternativas para isso.
Aumento do preço de alimentos (diretos e indiretos) - O aumento da demanda de plantas para a produção dos biocombustíveis pode elevar os preços (direta e indiretamente) de diversos produtos ao consumidor. As conseqüências, no médio e longo prazos, são nefastas para a população pobre do mundo. Do outro lado, há produtividade diferenciada para várias tipos de biocombustíveis. Alguns dos mais improdutivos são soja e milho, dos mais produtivos, cana-de-açúcar e mamona.
Exclusão social - O modelo de produção de biocombustíveis, baseado em grandes propriedades e na geração de sub-empregos, é considerado socialmente excludente. Do outro lado, se você levado a sério uma política de incentivo ao pequeno agricultor poderia resolver parte do problema.
Aumento do efeito estufa - Estudos científicos publicados em outubro de 2007 comprovaram que, se o processo produtivo for considerado na somatória de emissão de gases do efeito estufa, os biocombustíveis chegam a ser 70% mais nocivos do que combustíveis fósseis, mas isso porque ainda utilizam os combustíveis fósseis para o transporte da produção e, no caso americano, até para a produção de etanol. No Brasil, a produção é feito com o uso do próprio etanol.
Desmatamento de florestas - O aumento da área plantada de cana-de-açúcar poderá pressionar a atual área agropecuária brasileira no sentido da Amazônia e, conseqüentemente, ao desmatamento da floresta.
Um ano após o anúncio do aumento da demanda mundial de biocombustíveis, em 2006, estatísticas apontaram um crescimento no percentual de desmatamento da Amazônia, que há cinco anos seguia tendência de diminuição;
Insuficiência de recursos hidricos - Atualmente a quantidade de água utilizada em todo o mundo na produção de alimentos é da ordem de 7 mil metros cúbicos, de acordo com o Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI). A estimativa é que, até o ano 2050, este consumo praticamente dobre. Nas palavras de Jan Lundqvist, diretor do conselhor da SIWI, "as projeções indicam que a água necessária para produzir biocombustíveis crescerá na mesma proporção que a demanda de água por alimentos, o que representaria a necessidade de 20 a 30 milhões de quilômetros cúbicos em 2050. E isto não é possível".
Alternativas mais eficientes - Um estudo britânico publicado na revista Science demonstrou que as florestas podem absorver de duas a nove vezes mais carbono, em um período de 30 anos, do que as emissões evitadas pelo uso de biocombustíveis.
É importante salientar que parte dessas críticas são também um alerta para que parte do processo de produção do biocombustível, por exemplo, possa ser melhorado para evitar os desastres.
Algumas das possíveis melhoras são: