Como funciona o comércio de carbono

Autor: 
Sarah Dowdey

comércio de carbono­

A dramática imagem do aquecimento global amedronta as pessoas. O derretimento das geleiras, tempestades incomuns e ursos polares desamparados - mascotes da mudança climática - mostram quão rápida e drasticamente as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) estão mudando nosso planeta. Tais exemplos explícitos, combinados com o crescimento do preço da energia, fazem com que várias pessoas e empresas comecem a desejar reduzir o consumo e a diminuir sua contribuição individual das emissões globais. Mas, por trás da fachada emocional da mudança climática, apresenta-se uma estrutura de desenvolvimento de soluções econômicas para o problema. Existem duas opções principais no mercado de carbono: as voluntárias e as compulsórias. Além disso, políticos de todo o mundo têm concordado que o comércio de carbono contra seu rival, as emissões de carbono, é melhor método da atualidade para regular as emissões de GEE.

Galeria de imagens do aquecimento global (em inglês)

chaminés
Fotógrafo: Roman Makhmutov | Agência: Dreamstime
O comércio de carbono é uma maneira de diminuir as emissões de
gases do efeito estufa

O comércio de carbono, muitas vezes chamado de comércio de redução de emissões, é uma ferramenta básica no mercado para limitar os gases do efeito estufa. O mercado de carbono negocia emissões sob o esquema de “limitar e negociar” ou através de créditos que pagam ou compensam as reduções de GEE.

O esquema “limitar e negociar” é um dos modos de tentar regular as emissões de dióxido de carbono (CO2). A comissão que organiza o mercado primeiro fixa um limite sobre as emissões permitidas. A seguir, distribui ou leiloa licenças de emissões que totalizam o limite. Empresas que não tem licenças suficientes para cobrir suas emissões devem fazer reduções ou comprar créditos excedentes de outras corporações. Membros com licenças extras podem vendê-las ou guardá-las para uso futuro. Os esquemas de “limitar e negociar” podem ser obrigatórios ou voluntários.

Assim, no esquema "limitar e negociar", são considerados projetos que, por exemplo, reduzem substituem fontes energéticas poluidoras por fontes menos impactantes ou mesmo redução das emissões com melhoras nos processos produtivos, além do já tradicional no discurso do mercado: reflorestamento, que, a princípio, resgata carbono..

Um esquema de “limitar e negociar” bem-sucedido baseia-se em um limite estrito, mas viável, que diminui as emissões ao longo do tempo. Se este for muito alto, um excesso de emissões entrará na atmosfera e o esquema não terá efeito no meio ambiente. Um limite alto pode também diminuir o valor das licenças, causando perdas nas empresas que tenham reduzido suas emissões e guardado os créditos. Se o limite for muito baixo, as licenças serão escassas e supervalorizadas. Alguns esquemas de “limitar e negociar” possuem dispositivos de segurança para manter o valor das licenças dentro de um certo intervalo. Se o preço das licenças estiver muito alto, a comissão responsável por liberar créditos adicionais para estabilizar o preço. O preço das licenças é geralmente determinado pela oferta e procura. Um dos organizadores desse mercado é o Banco Mundial que criou uma unidade de financiamento para neutralização do carbono.

Os créditos são similares aos projetos de neutralização e compensação de carbono, exceto que, muitas vezes, são usados em conjunto com esquemas de “limitar e negociar”. Empresas que desejam reduzir abaixo da meta podem financiar projetos de redução de emissões pré-aprovados em outros lugares ou mesmo em outros países.