Comércio de carbono voluntário

A administração do presidente Bill Clinton ajudou a desenvolver o Protocolo de Kyoto. Mas quando chegou a hora de ratificá-lo, em 2001, os Estados Unidos não quiseram ratificar. O governo norte-americano acreditava que havia falhas graves em Quioto que poderiam causar um caos econômico [fonte: Washington Post - em inglês]. Contudo, nem todos os americanos concordam. Em 2005, 132 prefeitos norte-americanos prometeram atender metas de emissões semelhantes às de Quioto. Muitos citaram as conseqüências econômicas da diminuição do fornecimento de água e do aumento dos oceanos.

CCX
Scott Olson/AFP/ Imagens Getty
Dr. Richard Sandor (ao centro), presidente e diretor executivo da CCX, conversa com o Secretário de Energia dos EUA,
Spencer Abraham (à esquerda), e o prefeito de Chicago, Richard Daley, após o primeiro leilão de licenças da CCX, em 2003

Algumas cidades e empresas já tomaram algumas medidas. Em 2003, Richard Sandor fundou a Bolsa do Clima de Chicago (Chicago Climate Exchange - CCX), um mercado voluntário de carbono. Membros da CCX juntaram-se de boa vontade ao commodity associado, mas comprometeram-se legalmente com reduções obrigatórias. Como a CCX é voluntária, todo o tipo de organização tem se associado: empresas, universidades e até mesmo cidades. O estado de Michigan, Ford, DuPont, e as cidades de Chicago e Portland - Oregon estão entre seus membros.

Santa Catarina entra para a CCX

O governo do Estado de Santa Catarina assinou em 30 de novembro de 2007 o contrato de adesão à Bolsa de Clima de Chicago (CCX), tornando-se a primeira instituição pública da América Latina a entrar no mercado voluntário de créditos de carbono americano.

O Estado catarinense pretende compensar suas emissões de CO2­ de um período que vai de 1985 a 2007. A meta é atingir a compensão total até o ano de 2012.­


Como outros programas de “limitar e negociar” (cap-and-trade), a CCX fixa um limite sobre o total de emissões permitidas e emite licenças que se igualam a este limite. Empresas participantes negociam as licenças - instrumentos financeiros de carbono (CFIs) - entre si. Cada CFI é equivalente a 100 toneladas métricas de CO2. Membros que vão ao encontro de suas metas podem vender ou guardar suas licenças. As empresas também podem gerar CFIs, negociando compensações e financiando projetos de redução de GEE aprovados fora da associação. Em 2006, a CCX negociou um total de 10,2 milhões de toneladas de CO2 [Bolsa do clima - em inglês]. Como a CCX é propriedade de uma empresa privada independente, é livre de regulamentações federais que poderiam impedir esquemas de comércio de carbono obrigatórios.

Como Quioto ou ETS, a CCX tem duas fases de implementação. Na primeira fase, que aconteceu de 2003 a 2006, membros comprometeram-se a reduzir as emissões em apenas 1% ao ano, abaixo das bases de referência. Na segunda fase, que ocorrerá de 2007 a 2010, os membros reduzirão em 6% as emissões, abaixo das bases de referência.

Embora o alto limite da CCX tenha despertado críticas, o verdadeiro benefício do commodity associado pode acabar sendo a prática de mercado que vai prover a seus membros. Cidades espalhadas pelos Estados Unidos já criaram esquemas municipais de carbono. Alguns Estados estão criando mercados obrigatórios de carbono para empresas de serviços públicos. É muito provável que os Estados Unidos estejam se encaminhando para alguma forma de legislação nacional de carbono. Quando isso acontecer, os membros da CCX terão a valiosa vantagem da experiência.

O comércio de carbono e outros esquemas de base no mercado adicionam uma dose necessária de praticidade econômica à já emocionalmente carregada questão do aquecimento global. Ajudam a alterar a maneira que pensamos sobre emissões, eficiência energética e meio ambiente.

Para saber mais sobre comércio de carbono, compensação de carbono e aquecimento global, veja os links na próxima página.

­Faça chover

Os Estados Unidos, na verdade, possuem um esquema nacional de “limitar e negociar” há anos - isto não é só um limite sobre o carbono. A chuva ácida é o programa que limita a quantidade de dióxido de enxofre (SO2) que usinas elétricas nos Estados Unidos podem produzir. As usinas podem reduzir suas emissões e permitir a negociação de licenças. O programa está funcionando, há um alto valor de conformidade, e as emissões de usinas elétricas caíram para 50% abaixo do que estavam em 1980. O limite final permitido em 2010 será de 8,95 milhões de toneladas por ano [fonte: EPA - em inglês].