Conseqüências da crise subprime

No mercado de ações, percepção é tudo. Quando o mercado é percebido como saudável - o que significa que o dólar está forte, o déficit comercial é estreito e o valor das companhias é elevado -, investimento gera investimento. Mas quando as coisas parecem sombrias, porém, uma reação em cadeia de infortúnios parece ocorrer. A falha de um pedaço da economia pode levar a outra, e assim por diante. Em 2007, as coisas começaram a parecer ruins no mercado de ações norte-americano. Isso se devia em larga medida às conseqüências adversas das hipotecas subprime.

As hipotecas subprime ofereciam empréstimos para aquisição de residências a compradores que apresentavam elevado risco de crédito. Esses empréstimos eram muitas vezes concedidos em termos atraentes,  com baixas taxas iniciais de juros e sem entrada. Muitas das hipotecas subprime foram concedidas como hipotecas de taxas ajustáveis (ARM). As taxas de juros (em inglês) sobre esses empréstimos eram em geral reajustadas depois dos dois primeiros anos, para bem mais. Isso elevava as prestações das hipotecas, freqüentemente a valores que os proprietários não eram capazes de pagar. Como resultado, as execuções de hipotecas (em inglês) residenciais nos Estados Unidos cresceram em 75% de 2006 para 2007 [fonte: CNN Money (em inglês)].

As execuções de hipotecas (em inglês) talvez não exercessem efeitos tão abrangentes sobre a economia norte-americana, se não tivessem tantas implicações para outras áreas do mundo financeiro. Sob os regulamentos bancários do passado, os bancos simplesmente concediam hipotecas e as mantinham em suas carteiras, recebendo pagamentos por 15 ou 30 anos até que o saldo devedor fosse zerado. Mas na metade dos anos 90, as restrições a esses empréstimos foram relaxadas como parte de um esforço para estender a propriedade de casas a maior número de norte-americanos. O resultado foi que passou a ser possível comprar e vender hipotecas facilmente. Muitas delas foram adquiridas por corretoras de ações, agrupadas em carteiras de investimentos e vendidas em forma de títulos [fonte: Federal Reserve Bank (em inglês)].

Porque as instituições financeiras, como bancos de investimentos e corretoras de títulos adquiriram essas hipotecas, o risco de problemas de inadimplência se espalhou por todo o setor financeiro.

Podemos considerar essa dispersão como a metástase de um câncer. À medida que as taxas de juros subiam nas ARMs, as prestações mensais das hipotecas cresciam. Com a contribuição de fatores, como pesadas demissões de operários pela indústria automobilística e a especulação imobiliária praticada com casas adquiridas em contratos de ARM, logo alguns compradores passaram simplesmente a abandonar suas casas - e o pagamento dos empréstimos com que as haviam comprado [fonte: Federal Reserve Bank (em inglês)].

Mas as grandes empresas de crédito hipotecário que efetivamente desembolsavam o dinheiro para os mutuários que compravam essas casas descobriram repentinamente que a receita de pagamentos mensais estava caindo - e rapidamente. A maior empresa norte-americana de crédito imobiliário residencial, a Countrywide, reportou perda de receita de US$ 1,5 bilhão no segundo semestre de 2007 [fonte: AP (em inglês)]. Em 2006, antes da crise do subprime, a Countrywide havia registrado lucro de mais de US$ 2,5 bilhões [fonte: Fortune (em inglês)]. E porque bancos de investimento e outras instituições financeiras tinham envolvimento tão pesado no mercado subprime, quase todas as áreas do mercado financeiro foram infectadas por hipotecas de valor nulo. Ainda pior, porque investidores de todo o mundo haviam adquirido hipotecas subprime em forma de títulos, a economia de todo o mundo sofreu as conseqüências da crise do mercado subprime norte-americano. No Brasil, a Bovespa acompanhou a tendência das grandes quedas, o dólar disparou chegando à casa dos R$ 2,30 (valor de seis anos atrás). [fonte: Últimas Notícias - UOL]

Grandes bancos de investimento e empresas de empréstimo começaram a quebrar. As pessoas se prepararam para o pior: um crash do mercado de ações. Então, o governo dos EUA interveio para tentar impedir o naufrágio da economia norte-americana. Mas há algo que um governo possa fazer para conter um crash no mercado de ações? Descubra na próxima seção.