Ação do governo contra crash no mercado de ações

crise financeira
Pawel Gaul © istockphoto.com
Os governos acabaram tendo que intervir para amenizar a crise financeira

Porque os Estados Unidos tem uma economia de livre mercado, teoricamente os altos e baixos do mercado deveriam ser determinados apenas pela oferta e procura. De acordo com a teoria do livre mercado, qualquer instituição com influência suficiente no movimento do mercado - como o governo - deveria sair do caminho e permitir que a natureza siga seu curso. Embora o governo dos EUA não intervenha diretamente no mercado de ações (por exemplo, inflando os preços das ações caso caiam demais), tem o poder de afetar os mercados financeiros, de maneira periférica. Porque a economia é um conjunto de partes inter-relacionadas, a ação governamental pode determinar uma mudança. 

A crise das hipotecas subprime é um excelente exemplo do que um governo pode tentar fazer para evitar um crash ou recessão. Em 2008, o governo dos EUA quebrou muitos precedentes para tentar evitar que a economia mergulhasse para a crise. O governo anunciou que injetaria dinheiro na economia em forma de restituição de impostos, em valor mínimo de US$ 600 por contribuinte [fonte: IRS (em inglês)]. A esperança era a de que esse dinheiro estimulasse os norte-americanos a consumir bens e serviços no país, ajudando a reanimar a economia.

Os governos também podem ajudar a economia - e assim proteger um país contra crashes de mercados de ações - injetando dinheiro em instituições bancárias. O principal instrumento do governo dos EUA para injeções de dinheiro é o Banco Central dos Estados Unidos (ou Fed), uma rede de bancos independentes operados pelo governo que padroniza, regulamenta e auxilia os bancos comerciais dos Estados Unidos. Em 2008, o Fed anunciou a criação de um novo mecanismo de empréstimos: A Linha de Crédito para Títulos de Longo Prazo (TSLF). A TSLF ofereceria 200 bilhões de dólares em empréstimos a bancos não depositários (ou seja, não os bancos comerciais em que as pessoas têm contas-correntes). O que havia de especialmente importante da TSLF era o fato de que ela aceitava títulos de dívida como caução de seus empréstimos [fonte: Bloomberg (em inglês)]. Em outras palavras, os bancos sobrecarregados com títulos lastreados por hipotecas subprime poderiam utilizar os mesmos ativos que causaram seus problemas como caução em empréstimos com prazo de 28 dias concedidos pelo Fed.

O objetivo da medida era aumentar a liquidez (em inglês) do mercado. Um mercado líquido tem muitos compradores e vendedores negociando ativos - sem que os preços desses ativos precisem ser rebaixados como acontece em uma liquidação no varejo. O Fed também pode injetar dinheiro indiretamente ao reduzir a taxa do overnight - os juros que os bancos cobram uns dos outros por empréstimos no overnight. O Fed reduziu a taxa do overnight em 3% entre setembro de 2007 e março de 2008 [fonte: Financial Post (em inglês)]. Com juros mais baixos e mais dinheiro disponível, a esperança do Fed era de que os bancos teriam maior probabilidade de voltar a colocar dinheiro em investimentos.

Em seguida, o Fed interveio de maneira ainda mais direta, em 2008, ao garantir US$ 30 bilhões em dívidas quando o JP Morgan Chase tomou o controle do Bear Stearns [fonte: AP (em inglês)]. Os bancos de investimento são as instituições que realmente injetam dinheiro no mercado. Quando essas grandes empresas deixam de investir (ou quebram), o sistema financeiro inteiro pode se paralisar [fonte: Farmer (em inglês)]. Bancos de investimento lucram com seus dividendos e, quando têm mais dinheiro para investir, o mercado se torna mais forte.

Embora a intenção do governo ao impedir o colapso do mercado possa ter sido a de proteger os interesses dos cidadãos, nem todos concordam em que essas medidas deveriam ter sido adotadas. Corrigir o mercado poderia simplesmente prolongar o problema, dizem alguns críticos. O melhor curso de ação seria não agir [fonte: Bloomberg (em inglês)].

Os resultados dessas ações ainda estão sendo testadas e suas conseqüências benéficas ou maléficas para a economia norte-americana e mundial só serão vista, com clareza, em 2009.

Na Europa e na América Latina

As intervenções governamentais diante da crise financeira não aconteceram apenas nos Estados Unidos. Todas as economias foram mais ou menos atingidas. A primeira grande intervenção aconteceu no dia 28 de setembro de 2008 com a nacionalização parcial do grupo belga Fortis, para garantir sua sobrevivência. Autoridades na Holanda, Bélgica e Luxemburgo decidiram investir 11,2 bilhões de euros na operação. O primeiro grande naufrágio aconteceu na Islândia. O governo do país comprou 75% das ações do banco Glitnir. Antes mesmo da crise financeira despontar, a Inglaterra já sofria com a crise hipotecária que teve reflexo no seu próprio mercado imobiliário, mas, na mesma semana que a Islândia via a mão "amiga" do Estado, a Inglaterra anunciava a nacionalização do banco de hipotecas, Bradford & Bingley. Na mesma linha, a Alemanha criou um plano de resgate finaceiro de 470 milhões de euros. A França injetou 10,5 bilhões de euros nos principais bancos privados do país. Além disso, os 27 países da União Européia decidiram criar um plano comum de ajuda aos bancos, cujos detalhes ainda estavam sendo definidos em outubro de 2008. [Fontes: Estadão e IG

No Brasil, o Banco Central preparou um plano emergencial que contempla, entre outras coisas, a autorização para a instituição adquirir bancos, por exemplo. Na Argentina, o governo nacionalizou o sistema previdenciário que havia privatizado anos atrás. [Fonte: UOL]


 

Para mais informações sobre economia e tópicos relacionados, visite a próxima página.