Pagava-se para usar o dinheiro
Talvez a CPMF tenha sido o tributo mais polêmico do Brasil. Não pela sua alíquota, tampouco pelo valor de sua arrecadação - que, sem dúvida nenhuma, não tinha tanto peso para o contribuinte quanto, por exemplo, o imposto de renda ou mesmo a contribuição previdenciária. Sua origem e prorrogação por 11 anos, absolutamente controversas, são as principais razões de sua fama.
- Defensores entendiam que a fácil cobrança, baixa sonegação e o alto poder arrecadatório eram os pontos favoráveis à sua manutenção. A CPMF, vale lembrar, era uma das principais armas da Receita Federal contra os sonegadores.
Sem contar o rombo nas contas públicas que a extinção da CPMF causaria. De que adiantaria cortar um tributo de um lado, se seria necessário aumentar de outro?
- Opositores, todavia, entendiam que a CPMF, por incidir em cascata, era injusta, pois atingia toda a sociedade sem levar em conta a capacidade contributiva de cada cidadão. A CPMF elevava preços de produtos e aumentava a carga de juros na concessão de crédito, retirando dos consumidor recursos que poderiam ser aplicados na poupança ou no consumo.
Durante o segundo semestre de 2007, quando a "chapa estava quente", era comum ouvir que a CPMF era "um jeito que arrumaram para o contribuinte pagar para usar o próprio dinheiro".