Introdução
“O propósito básico do desenvolvimento é ampliar as escolhas das pessoas, criando um ambiente capacitante para que elas gozem uma vida longa, saudável e criativa. Por isso, o avanço de uma população não pode ser medido apenas pela sua dimensão econômica, mas também por suas características sociais, culturais e políticas". Partindo deste princípio os economistas
Mahbub ul Haq, do Paquistão, e
Amartya Sen, indiano ganhador do Premio Nobel de Economia de 1998, criaram, em 1990, o
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Trata-se de um indicador que oferece um contraponto ao
Produto Interno Bruto per capita, indicador que presume haver um elo entre o crescimento econômico nacional e a expansão das opções humanas de um indivíduo. O PIB per capita leva em conta apenas o desenvolvimento econômico de um país.
 Clique aqui para fazer o download do RDH 2007-2008 (pdf)
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O Brasil desenvolvido O PNUD divulgou em 27 de novembro de 2007, o Relatório do Desenvolvimento Humano do biênio 2007-2008 - Combatendo a Mudança Climática: Solidariedade Humana num Mundo Dividido, contendo dados de 177 países e territórios. Pela primeira vez na história do IDH, o Brasil aparece no ranking dos países com alto desenvolvimento humano, com uma pontuação de 0,800 (escala de 0 a 1). É um avanço, se considerar que o índice brasileiro do relatório anterior era de 0,792, o que deixava o Brasil entre os países com médio desenvolvimento ou em vias de desenvolvimento.
| Tendências de longo prazo no IDH do Brasil |
Ano |
Expectativa de vida no nascimento (anos) |
Taxa de alfabetização dos adultos (% com mais de 15 anos) |
Taxa de matrícula combinada (%) |
PIB per capita (2005 PPC US$) |
IDH |
| 1990* |
66,1 |
82 |
67,3 |
7.219 |
0,723 |
| 1995* |
68,2 |
84,7 |
74,4 |
7.798 |
0,753 |
| 2000* |
70,3 |
86,9 |
90,2 |
8.085 |
0,789 |
| 2004* |
71,5 |
88,6 |
87,5 |
8.325 |
0,798 |
| 2005 |
71,7 |
88,6 |
87,5 |
8.402 |
0,800 |
(*) Estas séries foram ajustadas levando-se em conta as revisões e atualizações das estatísticas daquele ano, e não necessariamente são isguais às publicadas em RDH
Fonte: PNUD Brasil |
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Para chegar ao IDH, os dois economistas elaboraram uma fórmula que leva em conta
três elementos de igual importância:
- renda (o PIB per capita corrigido pelo poder de compra de dólar de cada país)
- longevidade (expectativa de vida ao nascer)
- educação (índice de analfabetismo e taxa de matrícula em todos os níveis de ensino)
Cada um desses elementos é composto de fatores que colaboram com o índice de cada um. Entra na cota da longevidade, por exemplo, a segurança humana, composta, entre outros fatores, das estatísticas sobre crimes, fome e ameaças à segurança provocadas pelo desemprego repentino. Na cota de educação, entram o nível de conhecimento e a eficiência dos recursos disponíveis para a população (leia o texto da página sobre a metodologia do IDH). O resultado desse levantamento - o Relatório do Desenvolvimento Humano (RDH) - é publicado anualmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Tema brasileiro
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lança campanha para incentivar a participação da população na escolha do tema do próximo relatório brasileiro do IDH, em 2010, quando o índice completa 20 anos.
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O primeiro RDH foi publicado em 1990, mas o índice foi recalculado para os anos anteriores, a partir de 1975, possibilitando uma visão mais abrangente da evolução de cada nação no desenvolvimento humano desde a década de 70. O IDH é uma medida geral, sintética, do desenvolvimento humano. Ele não
abrange todos os aspectos econômicos do desenvolvimento e serve somente
para apontar em que setores um país deve reunir esforços para melhorar
o bem-estar e a prosperidade de seus habitantes. Com o passar dos anos, o indicador do desenvolvimento humano acabou se tornando uma referência mundial.
Foi nele, por exemplo, que as Nações Unidas se basearam para estabelecer os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. E é nele que governos estaduais e municipais se fiam para montar o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), uma versão do IDH para os 26 Estados e 5.507 municípios do país.
Os Objetivos do Milênio é um conjunto de oito metas de desenvolvimento que os 192 países-membros da ONU se comprometeram a cumprir até 2015. Elas são:
- Erradicar a extrema pobreza e a fome
- Atingir o ensino básico universal
- Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres
- Reduzir a mortalidade infantil
- Melhorar a saúde materna
- Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças
- Garantir a sustentabilidade ambiental
- Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento
Nas próximas páginas você vai saber como funciona a metodologia usada pelo IDH, e como foi o desempenho do Brasil nos últimos RDH.