Metodologia



O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma fórmula que leva em conta diversos fatores para medir o desenvolvimento de um país ou mesmo de um município. Uma das bases do índice é o Produto Interno Bruto per capita (por pessoa). Essa medida, no entanto, é insuficiente, já que pegar o volume de dinheiro que um país gera e simplesmente dividir pelo número de pessoas não informa como essa riqueza é distribuída. É só lembrar dos países árabes produtores de petróleos cujo PIB pode ser enorme, mas quem fica com o maior bolo é uma exígua parte da população. Assim, no IDH, o PIB per capita é recalculado através de um outro índice: o PPP – Purchasing Power Parity, ou, em português, PPC – Paridade do Poder de Compra. Nesse caso, é preciso levar em conta o câmbio de cada moeda nacional. Seu cálculo é feito através de uma base logarítmica. E o resultado é apresentado apenas em dólar.

Esses valores monetários, no entanto, são insuficientes. Por isso, o IDH, além do PPC, é calculado a partir de outras dois principais indicadores. São, portanto, três as principais variáveis:
  • Longevidade – que mede a expectativa de vida e nascimento da população de uma determinada região
  • Acesso à educação – que mede nível de alfabetização de adultos e número de pessoas com acesso aos três níveis educacionais
  • Qualidade de vida – que leva em conta o PPC.

Como é possível imaginar, esses três itens têm diversas variáveis. Por exemplo, no item longevidade, há variáveis como:
  • Esperança de vida ao nascer
  • Mortalidade até um ano de vida
  • Mortalidade até cinco anos de vida
  • Probabilidade de sobrevivência até 40 anos
  • Probabilidade de sobrevivência até 60 anos
  • Taxa de fecundidade total
  • Percentagem de enfermeiros residentes com curso superior
  • Números de médicos residentes por mil habitantes
E assim, cada um dos itens é subdividido em outros subitens.

O IDH é uma unidade que varia de 0 a 1. Mas para que essa centena de variáveis acabe nessa ordem de grandeza, é necessário fixar mínimos e máximos de cada um e fazer uma série de cálculos. Vamos a alguns exemplos de índices mínimo e máximo.

  • Expectativa de vida ao nascer – de 25 a 85 anos
  • Nível de alfabetização de adultos – de 0% a 100%
  • Proporção de matrículas – de 0% a 100%
  • PPC – de US$ 100 a US$ 40.000

Para se ter uma idéia de como esses números chegam as essas unidades, veja esse cálculo.




Assim, imagine um país com expectativa de vida ao nascer de 65 anos. O cálculo seria:




Esse tipo de cálculo, então, é feito com todos os outros itens. Para se chegar ao índice somam-se os valores gradualmente e vão sendo divididos. A última etapa é somar as três variáveis já compiladas (índice de expectativa de vida, índice de acesso à educação e o PPC) e dividi-las por três, chegando-se ao índice final que sempre vai variar de 0 a 1.


­Novo cálculo

Desde 1999, essa metodologia descrita é a usada. A principal mudança com relação aos cálculos anteriores foi a introdução da base logarítmica para se chegar ao PPC, que acabou tornando o índice mais confiável em relação às suas variações ano a ano.
Além dessa mudança, os índices não podem ser comparados simplesmente pegando o relatório do ano anterior para esse ano, já que outras metodologias vão mudando a cada ano e em cada país. É o caso do PIB brasileiro, cuja a metodologia mudou em 2007. Assim, para fazer a comparação é preciso recorrer a seguinte tabela.
Outra novidade do IDH é que, a partir de 2007, o relatório, antes divulgado anualmente, passa a ser bienal.


De onde vêm os dados ?

Você pode estar pensando. Ok, já tenho uma idéia de como é feito o cálculo, mas da onde vêm esses números? Como um índice que pretende abordar o maior número de países possível, o IDH vai atrás de várias fontes para chegar aos dados. São mais de 220 institutos de pesquisas nacionais consultados. É baseado também nos índices de PPCs compilados pelo Banco Mundial. Mesmo assim, com tantos números, sempre surgem discrepâncias. Para resolver essas diferenças, o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) procura entrar em contato com os institutos nacionais e também com as unidades da Organização das Nações Unidas instaladas nesses países ou em países vizinhos. Quando nenhuma dessas alternativas é possível, o Pnud faz então uma regressão econométrica, ou seja, recalcula os dados levando em conta dados anteriores e estimativas atuais.

Classificando os dados

Com os dados calculados, o IDH passa por uma classificação que estabelece o ranking dos países. Assim, os países podem ser divididos em:

Alto desenvolvimento humano
– IDH acima de 0,8
Médio desenvolvimento humano – IDH de 0,5 a 0,799
Baixo desenvolvimento humano – IDH até 0,499

Além disso, os países podem ser classificados de acordo com o rendimento econômico, critério do Banco Mundial:

Alto rendimento – renda per capita de $ 10.066 ou mais (em 2004)
Médio rendimento – renda per capita de $ 826 a $ 10.065 (em 2004)
Baixo rendimento – renda per capita até $ 825

Outras subdivisões podem ser feitas para a análise dos resultados. Separando-os, por exemplo, em três grupos majoritários:

Como se pode ver, alguns países podem estar em mais de um grupo.

Além disso, há uma divisão regional dos países em desenvolvimento que é a seguinte:

  • Estados Árabes
  • Leste asiático e Pacífico
  • América Latina e Caribe
  • Sul da Ásia
  • Europa meridional
  • África Subsaariana


A partir dessas subdivisões, é possível se chegar a vários tipos de comparação que podem ajudar na adoção de caminhos para políticas públicas e econômicas.

Prós e contras

O IDH pode ser considerado um importante termômetro para políticas públicas. Entre os principais pontos positivos do índice apontados pelos especialistas estão:

  • questionamento do PIB como medida e meta do desenvolvimento;
  • auxílio à focalização do gasto público para fins de planejamento;
  • avaliação do estoque de bem estar humano de uma nação;
  • avaliação do impacto de políticas;
  • análise de estratégias alternativas de desenvolvimento, e
  • direcionamento de concessões de ajuda internacional.


Apesar de ser uma referência, o IDH recebe algumas críticas quanto à sua metodologia e classificação. Entre as principais estão:

  • Falta de critérios ambientais no índice como desmatamento ou poluição;
  • Falta de critérios para analisar diferenças sociais como as de gênero ou raça;
  • Superficialidade na classificação de cada país;
  • Ausência de dados sobre economia informal e
  • Falta de análise da qualidade da educação.