Quais os principais produtos comercializados no mercado mundial e brasileiro

Autor: 
Marco Lentini

Mundialmente, o mercado de produtos florestais é em grande parte composto pelo comércio de papel para impressão e para uso em escritórios, além de papelões de diversos tipos (mais de US$ 96 bilhões em 2006). Em seguida, estão as madeiras serradas de coníferas, usadas em larga escala na construção civil, principalmente nos países do hemisfério norte, e na indústria de mobiliário. Em quarto lugar aparece o comércio de polpas celulósicas para a produção de papel. Compensados e madeiras serradas de espécies arbóreas de folhosas aparecem em quinto e sexto lugares, respectivamente, e representam conjuntamente apenas 10% do comércio mundial de produtos florestais.

Principais produtos florestais comercializados
mundialmente em 2006

Produto

Valores exportados
em milharesde dólares

Total
Papel para impressão e para escrever 43.882.406,00 21,5%
Outros tipos de papel e papelão 52.375.823,00 25,7%
Madeira serrada (coníferas) 23.897.794,00 11,7%
Polpa química de celulose 20.667.382,00 10,1%
Compensados 11.582.197,00 5,7%

Madeira serrada (não-coníferas)

9.143.711,00 4,5%
Painéis de partículas 7.458.448,00 3,7%
Outros produtos 34.764.264,00 17,1%
TOTAL 203.772.025,00 100,0%
Fonte: FAO (2008)

A situação é ligeiramente diferente quando consideramos apenas os produtos florestais brasileiros comercializados mundialmente. Cerca de 56% do mercado internacional para produtos florestais brasileiros é voltado a polpas celulósicas e papéis de impressão e para uso em escritório, veja tabela abaixo. Através destes dados é possível notar o destaque que as indústrias de papel e celulose têm no mercado florestal brasileiro. Tais indústrias se localizam majoritariamente no sul e sudeste do país, utilizando florestas plantadas de espécies de rápido crescimento, como árvores do gênero Eucalyptus e Pinus. Muitas destas florestas começaram a ser estabelecidas através de incentivos fiscais dados a reflorestamentos pelo governo militar nas décadas de 1970-80. De acordo com dados do Programa Nacional de Florestas, existiam em 2006 no território brasileiro 627 mil hectares de florestas plantadas, sendo que mais de 70% destas florestas se localizavam no sul e sudeste do país.

Em seguida, após os produtos oriundos principalmente das florestas plantadas, o mercado internacional para produtos florestais brasileiros é representado por compensados e a madeira serrada de espécies de folhosas, somando cerca de 22% do total. Conforme veremos adiante, dados de outras fontes nos levam a crer que a maior parte destes produtos são oriundos de madeira explorada na Amazônia.

Principais produtos florestais exportados pelo Brasil em 2006
Produto

Valores exportados (em milhares de dólares)

Fatia
Polpa química de celulose 2.458.551,00 43,5%
Papel para impressão e para escrever 715.756,00 12,7%
Compensados 654.616,00 11,6%
Madeira serrada (não-coníferas) 571.000,00 10,1%
Outros tipos de papel e papelão 550.798,00 9,7%
Madeira serrada (coníferas) 275.314,00 4,9%
Cavacos e partículas de madeira 106.133,00 1,9%
Outros produtos 321.244,00 5,7%
TOTAL 5.653.412,00 100,0%
Fonte: FAO (2008)

A participação da madeira tropical amazônica no Brasil e no mundo

O setor madeireiro é absolutamente vital para a Amazônia. Em primeiro lugar, por ser um importante gerador de renda e empregos para trabalhadores da floresta e da indústria de transformação, e por impulsionar de forma indireta várias economias de pequenas cidades do interior da Amazônia. Em 2004, o setor madeireiro amazônico gerou quase 400 mil empregos, o equivalente a 5% da população economicamente ativa da região. Neste mesmo ano, estimativas da organização não-governamental Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia (Imazon) mostram que o setor gerou US$ 2,3 bilhões de renda bruta. Não parece muito, mas é importante lembrar que o Produto Interno Bruto (PIB) total da Amazônia nesse mesmo ano é estimado em um pouco mais de 20 vezes isso – cerca de US$ 51 bilhões – o equivalente a apenas 8% do PIB brasileiro.

Em segundo lugar, o setor florestal é importante porque, ironicamente, o uso da floresta representa uma alternativa à sua devastação. Ou seja, embora seja importante manter florestas intocadas na forma de unidades de conservação, como parque e reservas biológicas, é impossível fazer com que todas as florestas sejam mantidas sem uso. Há alternativas hoje para usar a floresta sem devastá-la, através das chamadas práticas de manejo florestal. Hoje, a sociedade e o governo possuem um grande desafio em estimular a adoção de boas práticas através de políticas, leis e mecanismos de mercado, conciliando o uso racional com a conservação da floresta. O mercado externo tem adotado cada vez mais as práticas sustentáveis para balizar suas compras. Mas, a participação de produtos florestais da Amazônia nas exportações de produtos florestais brasileiros é modesta, já que a maior parte da produção madeireira amazônica é consumida aqui mesmo, dentro do Brasil. Em 2004, quando ocorreu o último levantamento do mercado amazônico em larga escala, o Imazon identificou que apenas 36% da produção madeireira foi exportada, contra 64% que foram consumidos no mercado nacional. Conforme veremos adiante, a madeira amazônica tem sido tradicionalmente encarada como uma matéria-prima barata para a construção civil brasileira, já as exportações têm crescido apenas recentemente, beneficiadas por mecanismos que podem a garantir a boa origem dos produtos – como a certificação florestal – além do aumento da agregação de valor e da qualidade dos produtos. As exportações têm crescido surpreendentemente nos últimos anos, tanto em termos de volume quanto do valor dos produtos exportados, passando de 14% da produção em 1998 para, como vimos, 36% em 2004. Entretanto, mesmo nos dias atuais, o Estado de São Paulo permanece como o principal consumidor individual mundial de madeira processada na Amazônia.


A próxima tabela apresenta a evolução do valor dos produtos madeireiros exportados pela Amazônia entre 2004 e 2007, segundo dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Curiosamente, os dados mostram um aumento gradual no valor das exportações madeireiras realizadas pela Amazônia, a despeito do câmbio ter se tornado crescentemente mais desfavorável nesse período (passando de R$ 2,92 / US$ 1,00 em 2004 para R$ 1,80 / US$ 1,00 em dezembro de 2007).

Ao compararmos esta tabela com a anterior, para o mesmo ano de referência (2006), podemos deduzir que a maioria da madeira serrada e cerca de 20% dos compensados exportados pelo Brasil neste ano vieram da Amazônia. Conforme veremos adiante, esta produção de madeira serrada tem gradualmente crescido incentivada por mercados interessados em obter madeira de alta densidade para pisos, deckings e mobiliário de luxo.

Principais produtos florestais exportados pelo Brasil em 2006
(em milhares de dólares).

Produtos 2004 2005 2006 2007
Madeira Serrada 457.425.969 488.034.960 485.811.777 574.082.350
Madeira Beneficiada 178.156.567 242.319.611 324.593.159 430.132.797
Compensados e Laminados 215.673.299 152.393.151 133.905.469 142.063.934
Outros 91.472.542 78.473.815 82.965.162 91.135.647
Total geral 942.728.377 961.221.537 1.027.275.567 1.237.414.728
Fonte: MDIC (2008)

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