O desbravador: a exploração e comércio do mogno
O mogno (
Swietenia macrophylla K.) é simplesmente a
madeira tropical mais valiosa do planeta. Estável e fácil de trabalhar, a madeira foi intensivamente usada principalmente na construção naval e para a
fabricação de mobiliário de luxo e instrumentos musicais. Em 2005, um metro cúbico da madeira serrada de qualidade superior (chamado de FAS, do inglês
first and seconds) era cotado em mais de
US$ 1.600 por metro cúbico. Apenas para fins de comparação, outras espécies nobres, como ipê, cedro, entre outras; raramente obtêm preços acima de US$ 1.000 por metro cúbico. O mogno começou a ser explorado na Amazônia logo no início da construção das estradas federais, na década de 1970. Grogan e colaboradores (ver mais informações) estimam que, nos 30 anos seguintes,
12,6 milhões de metros cúbicos de mogno tenham sido extraídos das florestas da Amazônia Brasileira. Mais de 70% desta produção, segundo os autores, foi exportada para a Inglaterra e Estados Unidos, o que teria gerado uma renda bruta de quase
US$ 4 bilhões. Devido ao seu imenso valor, o mogno serviu durante muitas décadas como um catalisador da expansão da exploração madeireira. Em algumas regiões, como o sul do Pará, estradas eram economicamente viáveis de ser construídas para a extração de mogno por até 500 km a partir das serrarias. Após a extração, tais estradas eram então novamente utilizadas para a extração de outras espécies que, por si só, não justificariam tais investimentos em infra-estrutura.
O mogno ocorre naturalmente em várias partes da América Central e na América do Sul. No Brasil, distribui-se ao longo de um amplo
arco de 1,5 milhão de km2 que se estende do centro-oeste ao leste da Amazônia, cobrindo a totalidade dos estados do Acre e Rondônia, a porção sul do estado do Amazonas, norte de Mato Grosso e centro-sul do Pará. Porém, após quase 40 anos de exploração predatória, grande parte dos estoques naturais maduros da espécie encontram-se exauridos. Além disso, a espécie apresenta grande vulnerabilidade ecológica. O mogno possui baixa taxa de regeneração em florestas exploradas, o que diminui a sustentabilidade da exploração. Alguns autores sugerem que a espécie pode regenerar bem apenas sob grandes distúrbios, como grandes clareiras. Além disso, a espécie não pode ser plantada em larga escala devido ao aparecimento de uma lagarta, a
Hypsipyla grandella, que dizima tais plantações.
Várias medidas têm sido tomadas pelo governo e sociedade brasileira e internacional para proteger o mogno. Em 2001, o governo federal incluiu a espécie no SCM, ou Sistema de Contingenciamento de Madeira, impondo uma cota máxima de exportações da espécie. Em 2002, a espécie foi incluída no
Anexo II da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES), o que implica em um
controle mais rigoroso e monitorado sobre o comércio de manejo da espécie. Em agosto de 2003, o governo estabeleceu regras específicas, mais rigorosas do que as vigentes para outras espécies, para a exploração do mogno. Neste momento, em fevereiro de 2008, há na Amazônia Brasileira apenas um plano de manejo de mogno autorizado para exploração.