Introdução

Um dia o petróleo chegará ao fim. São necessários 10 milhões de anos, processos geológicos específicos e um imenso acúmulo de material orgânico para criar petróleo cru - o que o torna um exemplo claro de recurso não renovável. Mas é impossível dizer exatamente quando o petróleo se esgotará, já que não podemos observar o manto da Terra a fim de verificar qual exatamente é o volume restante de petróleo.

Galeria de imagens de petróleo (em inglês)

OPEC meeting
Hassan Anmar/AFP/Getty Images
Os países membros da Opep (entre os quais estão Irã, Venezuela, Arábia Saudita e Iraque) podem ter motivos para inflar seus números quanto a reservas de petróleo. Como resultado, é difícil dizer com certeza quanto petróleo resta no planeta.

A empresa petroleira BP alega que dispomos de petróleo abundante. De acordo com sua Revisão Estatística da Energia Mundial, publicada em junho de 2007, a empresa estima que as reservas mundiais comprovadas de petróleo sejam de 1,028 trilhão de barris [fonte: BP]. Isso equivaleria a 40 anos de suprimento ininterrupto de petróleo - apenas com base nos volumes acessíveis e reservas comprovadas. Os dados foram compilados baseados nas reservas reportadas pelos países de todo o mundo e por grupos setoriais petroleiros como a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Mas o relatório da BP atraiu uma saraivada de críticas por parte de observadores do setor petroleiro, que consideram infundados os números que a empresa oferece. Especificamente, alega-se que os países de organizações como a Opep recebem investimentos e verbas de acordo com o volume de petróleo que mantêm em reserva. E mais, dizem as críticas: os números oferecidos pelos países não são auditados por fontes externas [fonte: U.S. Government Accountability Office]. Em outras palavras, os países membros podem ter motivo e oportunidade para exagerar o volume de petróleo que detêm em reserva.

A extração da última gota de petróleo disponível no planeta talvez ainda venha a demorar muito tempo. Existem diversas fontes de petróleo já localizadas mas ainda não exploradas. Há também fontes não localizadas mas cuja existência é presumida pelos especialistas. Uma preocupação muito mais urgente é a seguinte: continuaremos a dispor de petróleo suficiente?

A teoria do pico de petróleo - o ponto máximo a partir do qual o suprimento do planeta começará a se reduzir - tornou-se um assunto controverso nos últimos anos. O pico do petróleo seria o momento em que a produção do produto deixaria de subir. Depois do pico, a alta se transformaria em baixa. E, caso a demanda continue a crescer quando a produção começar a se reduzir, haverá problemas.

A base conceitual do pico de petróleo é um gráfico produzido por M. King Hubbert, um geólogo (em inglês) da Shell Oil, nos anos 50. O gráfico demonstra que reservatórios de petróleo seguem uma trajetória previsível, da descoberta ao esgotamento. Quando petróleo é descoberto, a produção do reservatório cresce até atingir um limite máximo. Depois ela se estabiliza e, por fim, começa a cair. Quando a queda começa, ela se prolonga até que o reservatório esteja esgotado.

As reservas agregadas de petróleo do planeta devem seguir a mesma curva, e o ponto a partir do qual começa a queda é o pico do petróleo. Esse ponto chegará um dia porque o petróleo é um recurso não renovável, mas determinar exatamente quanto tempo temos antes que isso aconteça é tema de intenso debate. Neste artigo, estudaremos os fatores que influenciam o pico do petróleo, os efeitos que ele pode ter sobre as pessoas e alguns dos argumentos contrários à teoria. Leia a próxima seção para descobrir como funciona o pico do petróleo.

Galeria de vídeo: viciados em petróleo

Quando vai acabar o petróleo do planeta? Aprenda mais sobre o que algumas pessoas pensam a respeito neste vídeo da Reuters.

Os automóveis híbridos usam menos gasolina e podem ajudar a adiar o momento do pico de petróleo. Aprenda mais neste vídeo do Discovery Channel.