Em fevereiro de 2007, o Serviço de Auditoria (GAO) do governo dos Estados Unidos publicou um estudo que examina as medidas que teriam de ser tomadas a fim de proteger o país contra a queda na produção posterior ao pico do petróleo. O GAO concluiu que diversos fatores terminariam por influenciar o momento do pico do petróleo. A melhor comparação é com uma maratona, na qual o desempenho de cada corredor influencia o dos demais. Cada corredor - o consumo de petróleo, a produção de petróleo e a busca de tecnologias alternativas de combustível - está envolvido na determinação do pico do petróleo, em uma corrida cuja linha de chegada certamente não quer dizer vitória.
Nessa corrida, a produção de petróleo parece estar à frente por pequena margem, em relação ao consumo. Mas é preciso lembrar que o desempenho de cada competidor afeta o dos demais. Assim, sempre que as energias alternativas ganham velocidade (digamos que por meio de um novo desenvolvimento na tecnologia do biocombustível), o consumo de petróleo se desacelera. O mesmo se aplica a outro competidor, que entrou há pouco na disputa: a conservação. Pode ser que esse corredor dispare à frente, talvez por meio de novos regulamentos governamentais, que forçarão as montadoras de automóveis a melhorar a eficiência energética de carros novos. Isso também desaceleraria o crescimento do consumo e prolongaria a corrida.
![]() Vanderlei Almeida/AFP/Getty Images Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, exibe uma amostra de etanol feito de cana de açúcar, um biocombustível |
A maneira pela qual você observa o dilema do pico do petróleo depende de em que corredor você aposta. Os combustíveis alternativos superarão o consumo de petróleo? Ou o consumo cada vez maior será grande demais para que um novato consiga derrotá-lo? A produção pode subir subitamente devido à descoberta de um novo campo, o que deixaria os demais concorrentes na poeira? De uma forma ou de outra, o único derrotado garantido nessa corrida é a produção. O que está em debate é quanto tempo a corrida durará.
Para aqueles que acreditam na teoria do pico do petróleo, a questão não é determinar se a produção de petróleo vai cair à medida que a demanda sobe, mas sim quando chegará o momento de pico. A Curva de Hubbert de produção de petróleo pode ser extrapolada de poços individuais para a produção mundial total e seu criador, M. King Hubbert, tem um histórico de precisão em suas projeções. Em 1956, ele previu que a produção de petróleo dos Estados Unidos atingiria um pico entre 1965 e 1970. O pico veio em 1971 e, desde então, está em declínio e acompanha de perto o traçado da curva prevista por Hubbert [fonte: Dept. of Energy]. Como resultado, os Estados Unidos importaram 60% do petróleo que consumiram em 2006 [fonte U.S. Energy Information Administration].
Os EUA não são o único país a enfrentar esse dilema. A produção de petróleo do Reino Unido no Mar do Norte chegou a um pico em 1999. O declínio na produção do país pode afetar a curva da produção mundial. Muitos acreditam que já tenhamos chegado ao pico da produção de petróleo, e que estejamos em um momento de estabilidade. Isso parece ter acontecido em algum momento de 2005 e vem sendo designado como "pico leve" pelos defensores da idéia.
Mas será que os adeptos da teoria não estão reagindo de maneira exagerada? Afinal, ninguém pode dizer ao certo quanto petróleo resta. Veja os argumentos contrários ao pico do petróleo na próxima seção.