Problemas causados pelo pico do petróleo

O dilema do pico do petróleo é um daqueles debates nos quais, para cada solução proposta, novos problemas aparecem. Tomemos como exemplo as reservas de petróleo do Ártico. Se o petróleo estiver perto de se esgotar e a demanda continuar a mesma, ou crescer, os governos podem ter de relaxar as regras quanto à prospecção no frágil ecossistema do Ártico. Como resultado, a extinção de espécies seria acelerada pelo impacto da prospecção de petróleo na área.

Protest against Arctic drilling.
Hugo Philpott/AFP/Getty Images
Protestos como a proposta de prospecção de petróleo no Ártico, em 2000, poderiam ter pouco ou nenhum impacto sobre a crise do pico do petróleo
Esse é apenas um dos problemas que poderiam surgir com o pico do petróleo. Ele é usado em uma ampla gama de produtos (entre os quais medicamentos e comida), além de também ser usado como combustível. Nos Estados Unidos, em 2005, 67% do petróleo consumido se destinava ao transporte [fonte: EIA]. Mesmo os caminhões-tanque e os petroleiros que transportam petróleo o utilizam como combustível. O petróleo pode ser considerado como a corrente sangüínea da economia mundial e estamos em uma situação na qual, sem ele, o planeta sofreria pesados danos econômicos.

Mas se a futura produção de petróleo estiver ameaçada, por que não acelerar a pesquisa de combustíveis alternativos? Isso nos conduz a um novo problema do pico do petróleo. A pesquisa e investimento mundiais em fontes alternativas de energia estão em nível recorde, mas o progresso obtido até agora continua a ser uma gota no barril de petróleo, se comparado ao volume de demanda por energia que os combustíveis alternativos teriam de satisfazer a fim de sustentar a situação em uma crise. Em outras palavras, simplesmente não temos a capacidade de produzir combustível alternativo em volume suficiente para compensar uma perda séria de produção de petróleo.

O Etanol de celulose é um tipo de combustível produzido com os carboidratos encontrados em plantas gramíneas e uma alternativa muito promissora. No entanto, ainda falta um avanço em técnica de produção capaz de reduzir os custos. Além disso, ele é altamente corrosivo, muito mais que a gasolina. Isso significa que os postos de gasolina teriam de reformar suas bombas e tanques de armazenagem, a um custo que o Departamento de Energia estima em cerca de US$ 100 mil por posto [fonte: GAO].

Além disso, os combustíveis alternativos concorrem diretamente com o petróleo pelos investimentos. Caso mais dinheiro seja destinado ao desenvolvimento de combustíveis alternativos, menos seria destinado à prospecção de novos campos de petróleo ou ao desenvolvimento de novos métodos de refino, como extração do xisto betuminoso. Uma concentração prematura de verbas no desenvolvimento de combustíveis alternativos pode prejudicar as economias que dependam pesadamente de petróleo. O truque é extrair o máximo de petróleo possível sem perder muito tempo.

O etanol não é a única fonte de combustíveis que sofre com obstáculos ao seu avanço, no estágio atual. Até mesmo o carvão, um combustível em amplo uso, tem seus problemas. Algumas pessoas o consideram como a resposta mais provável à crise do pico do petróleo. Muitas usinas de energia já são alimentadas pelo carvão e o processo de produção de carvão líquido já foi desenvolvido. O processo gera combustível que não precisa de refino e poderia ser usado nos veículos existentes.

Mas o carvão é um produto muito poluente. Uma tonelada de carvão (incluídos os combustíveis fósseis usados para extraí-la, transportá-la e processá-la) gera duas toneladas de emissões de dióxido de carbono em sua forma convencional de uso. E a estimativa é de que um carro movido por carvão líquido emita entre 4% e 8% mais gases causadores do efeito estufa do que um carro movido a gasolina [fonte: Scientific American].

Parece que teoria do pico do petróleo oferece más notícias sob todos os aspectos, mas talvez não haja nada pior do que a inação. Leia mais sobre esse cenário na próxima seção.