Resultados

Para ter uma idéia da importância de uma pesquisa, é interessante ver os resultados e saber o que eles podem dizer, por exemplo, sobre uma sociedade.

Dos últimos dados divulgados pelo IBGE da Pesquisa de Orçamento Familiar, um teve bastante destaque na mídia. Foi sobre a obesidade e excesso de peso.

Os números mostraram um aumento do número de obsesos e pessoas com quilos a mais que o ideal no Brasil e uma diminuição dos adultos com déficit de peso, o que pode significar desnutrição. Em 1975, 7,8% das mulheres e 2,8% dos homens eram considerados obesos. Já em 2003, 12,8% das mulheres eram obesas e 8,8% dos homens. Quanto ao déficit de peso, em 1975, 10,2% das mulheres e 7,2% dos homens tinham esse problema. Em 2003, eram 5,4% das mulheres e 2,8% dos homens.

Além desses dados, a pesquisa traça as diferenças de consumo entre classes sociais. Em 2003, por exemplo, nas famílias que ganham até R$ 400, o consumo de bebidas alcoólicas foi de 1kg por ano, enquanto, na faixa de rendimentos acima de R$ 3.000, ingeriu-se até 15kg. O mesmo acontece com bebidas não alcoólicas, cuja aquisição cresceu de acordo com os rendimentos, variando de 12kg até 72kg. Bebida de preferência nacional, o café é uma exceção no grupo, pois apresenta quantidades variando em torno de 2,5kg a 2,9kg em todas as classes de rendimentos.

Uma das grandes mudanças detectadas nesses anos de Pesquisa de Orçamento Familiar foi a forma de alocação dos recursos pelas famílias e a conseqüente perda do montante de investimentos. Há 30 anos, a parcela dos gastos permanentes com alimentação, habitação, saúde, impostos, obrigações trabalhistas correspondia a 79,86% e, em 2003, aumentou para 93,26%. Com isso, os investimentos (em imóveis e outros) na última pesquisa ficaram em 4,76%. Eles já foram mais que o triplo (16,50%) em 1974/75.

A pesquisa mostra que, em 30 anos, o brasileiro diversificou sua alimentação, reduzindo o consumo de gêneros tradicionais como arroz, feijão, batata, pão e açúcar e aumentando, por exemplo, o consumo per capita de iogurte, que passou de 0, 4 kg para 2,9kg ou de refrigerante sabor guaraná, que saiu de pouco mais de um kg (1,7 kg) por pessoa/ano para quase 8 kg (7,7 kg). Até o leite de vaca pasteurizado, que é o produto adquirido em maior quantidade pelas famílias (38 kg por pessoa, anualmente), teve seu consumo reduzido em 40%, tendo chegado a 62,4kg em 1987. Já o consumo de água mineral saltou de 0,3 kg para 18,5kg per capita por ano. Um outro sinal de mudança nos hábitos é dado pelo consumo dos alimentos preparados, por exemplo, que passou de 1,7 kg para 5,4 kg per capita, no período.