Como funcionam os preços da gasolina nos EUA

Autor: 
Ed Grabianowski,Kevin Bonsor

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A gasolina é a veia sangüínea que mantém os Estados Unidos em movimento. Apenas os veículos particulares bebem 250 bilhões de litros de gasolina e óleo diesel anualmente, e este número aumenta cerca de 2,6% ao ano.

Monitorar os preços da gasolina é como andar em uma montanha-russa. Caem um pouco em um mês, sobem no próximo e acabam fechando o ano com um aumento maior que 50%. Além disso, os preços são diferentes dependendo de onde você procura. Outros países e mesmo outros estados e cidades podem ter preços de gasolina muito diferentes de um local para outro. Para o cidadão comum pode parecer que a determinação do preço da gasolina é uma coisa sem sentido. Neste artigo, vamos ver as forças que impactam no preço da gasolina nas bombas e descobrir para onde realmente vai o seu dinheiro gasto com gasolina.

Os americanos têm uma sede insaciável por gasolina e com os veículos utilitários esportivos (SUVs) tornando-se cada vez mais populares, estão ficando cada vez mais sedentos. Basta olhar para as ruas e estradas para perceber que uma escassez grave de gasolina praticamente pararia o país. Os americanos dirigem mais de 4 trilhões de quilômetros por ano em automóveis, caminhonetes e utilitários, de acordo com um relatório da  (Motor and Equipment Manufacturers Association, Associação de Fabricantes de Carros e Equipamentos). Isso equivale a 14 mil voltas em torno do sol. Os americanos hoje dirigem quase duas vezes mais que em 1980 (2,4 trilhões de quilômetros).


Foto cedida por Phillips Petroleum Company
Um posto de gasolina em Colorado Springs

Preços históricos da gasolina nos EUA
(ajustados pela inflação)/>
Ano
Preço por galão
1950
US$ 1,91
1955
US$ 1,85
1960
US$ 1,79
1965
US$ 1,68
1970
US$ 1,59
1975
US$ 1,80
1980
US$ 2,59
1985
US$ 1,90
1990
US$ 1,51
1995
US$ 1,28
2001
US$ 1,66
2002
US$ 1,31
2003
US$ 1,52
2004
US$ 1,79
2005
US$ 2,28
2006
US$ 2,62
2007 (março)
US$ 2,61

Fonte: Departamento de Energia dos EUA

Os Estados Unidos consomem em média 20 milhões de barris de petróleo por dia, de acordo com o Departamento de Energia dos EUA (em inglês). Deste volume, aproximadamente 45% são usados em gasolina para motores. O resto é usado para destilar óleo combustível, querosene de aviação, combustível resídual e outros óleos. Cada barril contém 42 galões (159 litros) de óleo, que produzem de 19 a 20 galões (70 a 75 litros) de gasolina. Nos Estados Unidos, algo como 178 milhões de galões (675 milhões de litros) de gasolina são consumidos por dia.

Para comparação, o Brasil consome 1,8 milhão de barris de petróleo por dia, totalmente produzido no país, dos quais apenas 20% é usado para gasolina. A maior parte (45%) vai para o óleo diesel. O consumo brasileiro de gasolina é de pouco menos de 70 milhões de litros por dia.

Em geral, a demanda por gasolina aumenta durante o verão, quando muitas pessoas saem de férias. Feriados como o Memorial Day (Dia de Finados) e o 4 de Julho (Dia da Independência) criam enormes congestionamentos de tráfego durante essa época. Esta alta demanda em geral se traduz em preços mais altos, embora esse nem sempre seja o caso. Por exemplo, enquanto os preços da gasolina subiram 31 centavos de dólar em abril e começo de maio de 2001, atingindo US$ 1,71 por galão (que agora parece barato comparado com os preços de hoje), os preços realmente caíram durante o verão de 2001.

Em 2004, os preços continuaram a subir após o fim da alta estação por uma série de razões, incluindo furacões e um aumento no preço do petróleo bruto. E em 2005, o furacão Katrina, juntamente com um aumento considerável nos preços do petróleo bruto, elevou os preços para US$ 3,07 por galão em 5 de setembro de 2005. Os preços se estabilizaram em novembro e dezembro desse mesmo ano. Mas os números voltaram a subir, com um preço para gasolina comum não tabelada de US$ 3,03 em agosto de 2006.  Na média do ano a gasolina ficou em US$ 2,62 por galão, mas em maio de 2007 chegaram a US$ 3,20 por galão. Com o dólar a R$ 2,00, isso corresponde a R$ 1,70 o litro. Lembre-se que um galão é igual a 3,785 litros.

A alta de preços, em geral, ocorre quando o mercado mundial de petróleo bruto aperta e diminui os estoques. Vamos discutir quem controla o mercado de petróleo bruto mais tarde. Às vezes, o aumento da demanda também pode exceder a capacidade da refinaria. Na primavera, as refinarias realizam manutenção, o que diminui a produção. Em geral, no fim de maio, as refinarias estão de volta com capacidade total.

Quando se põe US$ 20 dólares em seu tanque, esse dinheiro está dividido em pequenas partes que serão distribuídas entre várias entidades. A gasolina é igual a qualquer outro produto à venda: há uma cadeia de suprimentos e vários grupos que são responsáveis pelo estabelecimento do preço do produto. Às vezes, a imprensa pode levá-lo a acreditar que o preço da gasolina é baseado somente no preço do petróleo bruto, mas há realmente muitos fatores que determinam o que você paga na bomba. Não importa o quão cara a gasolina se torne, todas estas entidades têm de ganhar uma fatia do bolo.


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Vamos ver para onde vai o dinheiro que você paga pela gasolina:

  • petróleo bruto - é a maior parte do custo da gasolina, aproximadamente 59%, que vai para os fornecedores de petróleo bruto. Isto é determinado pelas nações do mundo exportadoras de petróleo, em especial a Opep - Organização dos Países Exportadores de Petróleo (em inglês), sobre a qual você saberá mais na próxima seção. O volume de petróleo bruto que estes países produzem determina o preço de um barril de petróleo. O preço do petróleo bruto era, em média, U$ 37 por barril em 2004 - fonte: Departamento de Energia dos EUA (em inglês). E depois do furacão Katrina, alguns preços quase dobraram. Em julho de 2006, o preço do petróleo bruto era, em média, US$ 72 por barril;

    Às vezes os preços da gasolina sobem quando há muito petróleo bruto no mercado, dependendo do tipo de petróleo disponível. O petróleo pode ser classificado como pesado ou leve e doce ou azedo (ninguém realmente experimenta o petróleo, é só como o chamamos). O petróleo bruto leve e doce é mais fácil e mais barato para refinar, mas os suprimentos são baixos. Há uma grande quantidade de petróleo bruto pesado e azedo disponível no mundo, mas as refinarias, em especial as americanas, precisam passar por uma cara reformulação para poder manipulá-lo;

  • custos de refino - o refino de petróleo bruto gira em torno de 10% do preço da gasolina. Para saber mais sobre o refino de petróleo, leia Como funciona o refino de petróleo;
  • distribuição e comércio - o petróleo bruto é transportado para as refinarias, a gasolina é enviada das refinarias para os pontos de distribuição e daí finalmente aos postos de abastecimento. O preço do transporte é repassado para o consumidor. O marketing da marca da companhia de petróleo também é adicionado ao custo da gasolina que você compra. Juntos, esses dois fatores representam cerca de 11% do preço;
  • impostos - os impostos, incluindo federal e local, contabilizam cerca de 20% do preço total da gasolina nos Estados Unidos. O imposto federal tributado é de US$ 0,18 por galão e o imposto estadual tributado é, em média, US$ 0,20 por galão. Pode haver também alguns impostos de vendas adicionais do Estado e impostos da prefeitura. Na Europa, os preços da gasolina são mais altos que nos Estados Unidos devido a impostos muito mais elevados. Por exemplo, os preços da gasolina na Inglaterra subiram para por volta de US$ 6 por galão (R$ 3,17 por litro!), sendo que 78% disso são impostos;
  • margem do posto - apesar de não estar representado no diagrama acima, é claro que algum do dinheiro real gasto nas bombas de gasolina vai para o posto. Os postos de serviço aumentam alguns centavos por galão. Não há um padrão estabelecido sobre quanto os postos de gasolina somam ao preço. Alguns podem adicionar poucos centavos, enquanto outros adicionam US$ 0,10 ou mais. Entretanto, alguns Estados têm leis de margem de comercialização proibindo que os postos de gasolina cobrem menos que uma determinada porcentagem sobre a nota fiscal do atacadista. Estas leis são feitas para proteger os pequenos proprietários de postos de gasolina porque as grandes cadeias têm fôlego financeiro suficiente para promover grandes reduções de preço em determinadas localidades.

Os preços da gasolina também variam de Estado para Estado por várias razões. Os impostos são provavelmente o maior fator nos diferentes preços. Além disso, a concorrência entre os postos de gasolina locais pode levar os preços a baixarem. A distância das refinarias de petróleo também pode afetar os preços. Postos de gasolina mais próximos ao Golfo do México, onde muitas refinarias estão localizadas, têm preços mais baixos devido ao custo mais baixo de transporte. Há também alguns fatores regionais que podem afetar os preços.

Acontecimentos mundiais, guerra e clima podem também elevar os preços. Qualquer coisa que afete alguma parte do processo, desde a extração até o refino do petróleo e o fornecimento da gasolina até o seu carro vai resultar em uma mudança no preço. Os conflitos militares em países que são grandes produtores de petróleo podem dificultar às companhias petrolíferas extrair e enviar petróleo bruto. Os furacões têm destruído plataformas de extração em alto mar, refinarias costeiras e portos de carga que recebem os navios-tanque. Se um navio-tanque se perde ou é danificado e derrama óleo no oceano, isso também é um prejuízo para o mercado.