Evitando os limites

Se não perguntar, não ficará sabendo. Aprendi isto com meu pai. Ele simplesmente não se constrangia no que diz respeito a suprir as necessidades da família. Lembro-me de quando era pequeno e papai e eu estávamos a caminho de casa quando ele viu um triciclo Big Wheel quebrado no lixo de alguém. Ele parou o carro, o pegou e bateu na porta da casa onde o brinquedo descartado estava esperando ser recolhido.

"Eu vi esse Big Wheel no seu lixo", disse ele à mulher que abriu a porta. "Você se importa se eu pegá-lo? Acho que consigo consertá-lo. Ficaria muito contente em dar ao meu filho algo assim."

Que coragem! Consegue imaginar um cara orgulhoso de classe média se dirigindo àquela mulher e, basicamente, admitindo que ele era tão pobre que queria ficar com o lixo? Mas isso não é nem a metade. Imagine como a mulher se sentiu, tendo a oportunidade de dar um presente desses a outra pessoa. Com certeza, ela ganhou o dia.

"Claro que sim", ela falou entusiasmada, explicando que seus filhos estavam grandes e que havia muito tempo que o brinquedo não era usado. "Você também pode ficar com a bicicleta. Ela está em boas condições e eu simplesmente não tive coragem de jogá-la fora..."

Em seguida, fomos embora. Eu tinha um "novo" Big Wheel para andar e uma bicicleta à minha espera quando crescesse. A mulher esboçou um sorriso e seu coração palpitava de uma forma que apenas a benevolência propicia. E meu pai me ensinou que há genialidade, até bondade, em ser corajoso.

Sempre que começo a estabelecer limites para o que consigo e não consigo fazer ou quando o medo toma conta do meu pensamento, me lembro daquele triciclo Big Wheel. Lembro-me de como as pessoas que têm uma tolerância pequena para correr riscos, cujo comportamento é guiado pelo medo, estão menos propensas a ter êxito. As lembranças daquela época ficaram guardadas. Meu pai me ensinou que a pior coisa que alguém pode dizer é "não". Se optarem por não dedicarem seu tempo ou ajuda, será uma pena para eles. Meu pai compreendeu algo que muitas pessoas não entendem: para ser bem-sucedido, você não só tem de aceitar a generosidade quando ela lhe for oferecida, mas, às vezes, deverá correr atrás e pedi-la.

Às vezes, posso fazer uma grande diferença na vida de outra pessoa. Posso abrir uma porta, fazer uma ligação ou agendar um estágio, uma dessas atitudes simples por meio das quais os destinos são alterados. Mas, com freqüência, a oferta é recusada. A pessoa dirá: "desculpe, mas não posso aceitar o favor porque não sei se poderei retribuir" ou "prefiro não me comprometer, portanto, terei de recusar". Às vezes, ela insistirá que irá retribuir o favor de alguma forma. Para mim, nada é tão frustrante quanto me deparar com tamanha intolerância à natureza recíproca da generosidade.

Nesse artigo, ofereço o que sei sobre como funcionam as "redes de relacionamento" e não sua conexão. Espero que você aplique o que aprendeu para construir relacionamentos mais intensos na vida e saiba que ficarei entusiasmado em ter dado uma pequena contribuição para o seu sucesso. Afinal de contas, você não vencerá sozinho. Estamos juntos nessa.

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