Como São Paulo chegou aonde chegou

É curioso pensar que uma pequena vila, sem praticamente nenhum valor econômico por mais de três séculos, tenha experimentado um crescimento tão vertiginoso em tão pouco tempo – pouco mais de 150 anos. Esta é São Paulo.

De 1500 até meados do século XIX, o Brasil passou por alguns ciclos econômicos. O primeiro deles foi o do pau-brasil, de curta duração, mas que não logrou êxito na tarefa de desenvolver a colônia. A Vila São Paulo de Piratininga era fundada em 1554, quando a atividade já estava em declínio.

Em seguida, veio o ciclo do ouro, com a descoberta do metal precioso em Minas Gerais, pouco acima de São Paulo. Seu escoamento, no entanto, foi feito exclusivamente pelo Rio de Janeiro, então capital brasileira – isolando São Paulo do desenvolvimento.

Algum tempo depois veio o ciclo da cana-de-açúcar, mas que atingiu principalmente o nordeste brasileiro – novamente São Paulo via-se imune ao progresso.

Então veio a vez do café, ciclo que perdurou de meados do século 19 até a década de 1930. O sudeste brasileiro, no qual encontrava-se a cidade de São Paulo, era a região propícia para o plantio dos grãos. É neste momento que a cidade começa a se desenvolver de verdade.

Santos tornou-se o principal porto de escoamento do café do interior paulista. Em 1867, a região ganhava sua primeira ferrovia – a São Paulo Railway -, ligando Santos à Jundiaí. São Paulo, entreposto entre as duas cidades, tornava-se um importante centro comercial e de negócios.


Nilton Neves/Lunapress
A Estação da Luz, construída no final do século 19, um dos símbolos da prosperidade do período

Outro aspecto que contribuiu significativamente para o desenvolvimento de São Paulo foi o crescimento demográfico da região, ocasionado pela a proibição do tráfico negreiro, em 1850, e pela conseqüente intensificação da imigração de europeus que vinham trabalhar nas lavouras de café da região.

São Paulo foi, aos poucos, se consolidando como uma potência econômica e política em nível nacional.

A ocorrência da Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, refletiu positivamente na economia paulistana. Por um lado, o declínio das importações promoveu a industrialização da região, por outro, aumentou o fluxo de imigração de europeus (que fugiam da guerra), servindo de contingente nas indústrias e no campo.

A Grande Depressão de 1929 - a primeira grande crise econômica mundial do capitalismo - foi um choque para a economia cafeeira paulistana, já que boa parte de sua produção era destinada à exportação.

Apesar dos impactos negativos, a crise de 1929 orientou mais ainda a economia de São Paulo para o setor industrial. Aos poucos, surgiam os primeiros grandes impérios industrais, um dos mais notórios é o da família Matarazzo, que chegou a ter mais de 300 indústrias instaladas na cidade.

A Segunda Guerra Mundial foi outro aspecto contribuinte do desenvolvimento industrial de São Paulo, que passou a concentrar um grande número de indústrias, atraindo contingente de outros estados brasileiros. As áreas no entorno de São Paulo começavam a crescer populacionalmente, dando início ao processo de metropolização da região.

O boom econômico, no entanto, veio a ocorrer nas décadas de 1950 e 1960 com o plano de metas do governo de Juscelino Kubitschek, então presidente do País, conhecido por “50 anos em 5” - em alusão a proposta de crescimento econômico acelerado pela industrialização. A esta altura, São Paulo começar a tomar forma semelhante aos dias de hoje.

As décadas de 70 e 80 são marcadas pelo surgimento dos problemas sócio-econômicos conhecidos por todos nos dias de hoje – processos de favelização, aumento de índices de violência, trânsito e poluição, entre outros. Neste momento, ocorre também a descentralização das indústrias – que passam a migrar de São Paulo e entornos para outros estados brasileiros. São Paulo, aos poucos, vai ganhando os contornos econômicos atuais – uma economia voltada para o setor de serviços e de turismo de negócios.

Atualmente, São Paulo se consolida como uma das maiores e mais ricas cidades do mundo. Com a globalização da economia, com início na década de 1990, a capital torna-se sede de centenas de corporações multinacionais e financeiras no Brasil e da América Latina.

Mas isto não significa que os paulistanos tenham logrado êxito na tarefa de dividir igualitariamente os frutos do desenvolvimento. Por entre estatísticas macroeconômicas se escondem as diferentes matizes da cidade. Co-existem, no mesmo tempo e espaço, a São Paulo da riqueza e do progresso, e a São Paulo da pobreza e miséria. Leia na próxima página.