Não é apenas com um PIB digno de primeiro mundo que se alcança o bem-estar social de toda uma cidade. É preciso saber compartilhar de forma igualitária a riqueza, caso contrário, florescem problemas sociais, econômicos e ambientais.
Esta meta, no entanto, é mais difícil de ser atingida do que parece. Em verdade, é um grande problema, sobre o qual muitos gestores públicos, empresários, agentes sociais e especialistas estão debruçados há anos.
Apesar de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ser bem melhor do que outros municípios – 0,841 em 2000 –, São Paulo é uma gigante rica e absolutamente desigual - caso típico de uma metrópole de terceiro mundo.
Fernando Fernandes/Lunapress Imagem da Favela Vila Prudente mostra a riqueza produzida na capital não é dividida igualitariamente
De acordo com o IBGE e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), São Paulo é lar de mais de 10 milhões de pessoas. 30 mil são milionários, cerca de 60% do total deste grupo no Brasil; outros quase 2 milhões vivem espalhados por entre suas mais de 600 favelas – uma média aproximada de 3.300 moradores por favela. Numa conta rápida chega-se a proporção de 66 favelados para cada milionário em São Paulo.
São Paulo é próspera. Basta trafegar pela avenida Brigadeiro Faria Lima para ver o emaranhado de arranha-céus, ou passear pela rua Oscar Freire para observar as mais badaladas grifes do mundo. Mas será que a prosperidade já chegou até outro lado do rio?
Em São Paulo, as áreas desenvolvidas – com raras exceções - encontram-se predominantemente na região central da cidade, situada entre os rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí. É atravessar a ponte para avistar, em várias áreas, uma vizinhança desordenada e caótica, com lixo nas ruas e muros totalmente pixados. Andando mais alguns quilômetros é possível presenciar a vias sem asfalto e sem postes de luz nas calçadas, esgoto a céu aberto e casebres amontoados uns sobre os outros. É incrível, mas ainda estamos em São Paulo.
A Secretaria Municipal de Planejamento de São Paulo (Sempla) mantém uma base georreferenciada de dados sócio-economicos da cidade. Os resultados são evidentes: as condições de vida na periferia de São Paulo são bem piores do que nas áreas próximas ao centro.
Crédito: Secretaria Municipal de Planejamento de São Paulo Note que, em todos os mapas, os índices vão pioriando no sentido centro-periferia
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Celso Monteiro. "HowStuffWorks - Como funciona a economia de São Paulo". Publicado em 24 de janeiro de 2008 (atualizado em 26 de maio de 2008) http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br/sao-paulo-economia2.htm (25 de novembro de 2009)