Aquecimento ou recessão

Com certeza você já ouviu falar na taxa Selic em noticiários econômicos, bem como seu poder de impacto na economia. Mas por que ela é tão importante? Para responder a pergunta, é preciso entender o contexto em que se insere a taxa básica de juros da economia brasileira.

Toda nação possui uma política econômica. E toda política econômica possui quatro segmentos básicos: fiscal, cambial, de rendas e monetário. O cálculo do PIB, por exemplo, leva em conta cada um deles.

Quando falamos em taxas de juros, estamos nos referindo à política monetária, que consiste, resumidamente, no controle da oferta da moeda e das taxas de juros de curto prazo, com vistas à garantia da liquidez ideal para cada momento econômico. As taxas de juros são, portanto, um instrumento para o exercício da política monetária de um país.

Existem várias taxas de juros no mercado, entretanto, a mais importante delas, que tem o poder de influenciar todas as outras, é a taxa Selic.

O que é Selic

A sigla Selic significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Trata-se de um sistema computadorizado, cujo responsável é o Banco Central, ao qual apenas instituições financeiras têm acesso.

O Selic é o depositário central dos títulos da dívida pública federal interna. Ele registra todas as transações com duração de um dia útil (chamadas de over-night, no jargão financeiro) entre bancos, lastreadas exclusivamente em títulos públicos. Esses papéis são comercializados diariamente entre os bancos, com a adição de um custo que representa os juros.

O sistema calcula a média ponderada dos juros dessas transações. O resultado do cálculo é conhecido como a taxa Over-Selic (ou seja, a Selic para um dia útil). Anualizada, ela representa a tão falada taxa Selic.

Como foi explicado, a taxa Selic é gerada à partir de operações interbancárias lastreadas em títulos públicos. É por este motivo, por representar os juros dos títulos públicos (que são os de menor risco no mercado brasileiro) que é considerada a taxa básica de juros da economia.

O governo, ao ajustá-la, aumenta ou diminui a oferta de moeda no mercado e, teoricamente, mantém controle sobre os preços dos produtos e serviços. É uma verdadeira “reação em cadeia”, que pode terminar em recessão ou aquecimento da economia.

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Vale lembrar que, além dos consumidores, o governo também se beneficia com a queda dos juros básicos. Isto porque parte da dívida externa brasileira (que estava na casa dos US$ 175,89 bilhões em maio de 2007) está atrelada à taxa Selic. Calcula-se que a redução de 0,5 ponto percentual gera uma retração de mais de R$ 1 bilhão no passivo do governo.