No bolso do consumidor

Você deve estar se perguntando o que a Taxa Selic tem a ver com o seu bolso. Simplesmente tudo. Ela tem o poder de influenciar as taxas de juros oferecidas pelos bancos aos consumidores (empréstimos pessoais, cartão de crédito e cheque especial). Não é difícil entender o porquê, veja abaixo.

Os bancos lucram através de empréstimos de dinheiro. O dinheiro é emprestado tanto para o setor privado (pessoas e empresas), quanto para o governo. Lembra da lei de oferta e procura? Quanto mais dinheiro em circulação, menor serão as taxas? Pois bem.

Se o governo baixa a meta da Taxa Selic, todos as operações bancárias feitas com o governo lastreadas na Selic perdem rentabilidade. O que acontece? Torna-se mais interessante aos bancos emprestar dinheiro no mercado privado. Aumentando a oferta de moeda, caem as taxas de juros de produtos bancários, como cartão de crédito e o cheque especial. Caem mesmo? Veja o quadro abaixo.

Spread Bancário

Spread bancário é a diferença entre os juros que os bancos pagam para captar dinheiro e os juros cobrados de quem toma empréstimos dos bancos. Ingenuidade achar que esta diferença (o spread) não é grande. A diferença, na verdade, é abissal.

Enquanto a meta da Selic gira em torno de 10 a 12% ao ano, os juros cobrados no cartão de crédito, por exemplo, extrapolam a barreira dos 120%. Assim, o spread é a principal maneira pela qual os bancos ganham dinheiro. E muito.

Alguns especialistas são taxativos ao afirmarem que a queda de 1 ponto percentual da meta Selic tem o poder de redução de 0,4% nas taxas de juros bancários. Quase imperceptível...

Desorientado? HowStuffWorks traz a você uma tabela comparativa entre a meta da Selic e os juros cobrados nos principais produtos bancários do brasileiros. Fique esperto na hora de contrair uma dívida e escolha a melhor para você.


Projeção para 12 meses
(com base nas taxas vigentes para o mês de julho/07)
Jul/07

Selic (meta)

11,50%

Juros do comércio

71,88%

Cartão de crédito

123,24%

Cheque especial

92,52%

CDC-Bancos

36,60%

Empréstimo pessoal Bancos

64,08%

Empréstimos pessoal Financeira

135,84%

(Fonte: Anefac - Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade)