Como os títulos de empréstimos hipotecados derrubaram a economia

Quando o índice de execução hipotecária começou a crescer (em inglês), no final de 2006, também foram lançadas novas casas no mercado. A construção de casas novas já havia ultrapassado a demanda, e quando um grande número de execuções hipotecárias ficou disponível a preços muito reduzidos, os construtores perceberam que não conseguiriam vender as casas que haviam construído. Richard Dugas, diretor executivo da construtora Pulte Homes, disse, em setembro de 2008: "Não podemos competir com as execuções hipotecárias reduzidas em 40 a 50%" [fonte: Builder - em inglês].

A presença de mais casas no mercado diminuiu o valor dos imóveis. Alguns proprietários chegaram à precária situação de não conseguir fazer seus pagamentos, devendo um valor superior ao que suas casas valiam. Cada vez mais pessoas recorreram à opção de abandonar as casas que não podiam pagar, e as execuções hipotecárias aumentaram ainda mais.

Se esse problema tivesse acontecido antes do advento dos empréstimos hipotecados, ele ainda teria afetado a economia nacional. Como os construtores de casas e concessores de empréstimos estavam indo à falência, o desemprego também teria aumentado. As execuções hipotecárias também teriam deflacionado o preço das casas. Com menos fluxo de caixa, os bancos sobreviventes (em inglês) também teriam restringido o crédito. Mas a presença dos títulos de empréstimos hipotecários causou um efeito ainda mais grave na economia dos Estados Unidos.

Como os títulos de empréstimos hipotecários foram comprados e vendidos como investimentos, houve hipotecas inadimplentes em todas as áreas do mercado. A mudança no desempenho desses títulos ocorreu rapidamente e, por conseguinte, a maioria das grandes instituições foi onerada pelos empréstimos quando elas decaíram. Os portfólios de enormes bancos de investimentos, ineficientes com títulos de empréstimos hipotecados, viram que seu patrimônio líquido (em inglês) foi por água abaixo quando esses títulos começaram a desvalorizar. Foi o caso do Bear Stearns. O gigante banco de investimentos decaiu tanto que foi comprado em março de 2008 pelo concorrente JPMorgan, recebendo 2 dólares por cada ação. Sete dias antes da compra, as ações da Bear Stearns eram adquiridas por 70 dólares [fonte: USA Today - em inglês].
 
Como os empréstimos hipotecados tinham prevalência no mercado, não ficou claro logo de início como o problema da queda da hipoteca subprime se alastraria. Durante o ano de 2008, uma nova inscrição de bilhões de dólares no balanço geral de uma ou outra instituição chegava às manchetes todos os dias e toda semana. Fannie Mae e Freddie Mac, as corporações (em inglês) do governo, que financiam hipotecas como fiadores ou comprando-as diretamente, buscaram ajuda do governo federal em agosto de 2008. Combinadas, as duas instituições têm aproximadamente 3 trilhões de dólares em investimentos em hipotecas [fonte: AP - em inglês]. Ambas estão tão bem estabelecidas na economia dos Estados Unidos que o governo federal tomou o controle das corporações em setembro de 2008, em meio a valores decadentes; Freddie Mac informou uma perda de 38 bilhões de julho a agosto de 2008.

Fannie Mae e Freddie Mac são um exemplo de como cada parcela da economia está relacionada. Se as coisas vão mal com Fannie Mae e Freddie Mac, também vai mal no setor imobiliário. Os concessores emitem empréstimos imobiliários e os vendem a uma das empresas, ou usam os empréstimos como garantia para conseguir mais empréstimos; a função de cada gigante é introduzir dinheiro na indústria do empréstimo. Se Mac e Mae não emprestam dinheiro ou compram títulos de empréstimos, os concessores diretos têm menos probabilidade de emprestar dinheiro aos consumidores.

Se os consumidores não conseguem dinheiro emprestado, não podem gastá-lo. Se não podem gastá-lo, as empresas não vendem produtos; menos vendas significam valor diminuído, e assim, o valor das ações da empresa diminui. As empresas cortam despesas demitindo funcionários; o desemprego aumenta e os consumidores gastam ainda menos. Quando um grande número de empresas perde seu valor ao mesmo tempo, a bolsa de valores cai. A queda pode levar à recessão. Uma crise forte o suficiente pode causar depressão (em inglês); em outras palavras, o fim de uma economia.