Michael Milken e a história dos títulos de risco

Os títulos de risco sobreviveram às dramáticas ascensão e queda de popularidade, assim como à controvérsia que os envolve. Antes da década de 80, poucas empresas expediam títulos de risco. Os únicos que estavam disponíveis vinham de empresas bem estabelecidas que passavam por momentos difíceis. Isso mudou no fim dos anos 70, quando novas empresas sem nenhum crédito começaram a expedir títulos que começavam como "lixo" para conseguir sair do chão. Os títulos de risco viraram um investimento comum no início da década de 80, esquentando o banco para o ambicioso negociante Michael Milken, que mais tarde ficou conhecido como o "Rei dos Títulos de Risco".

Discurso de Michael Milken
John Chiasson/Getty Images
Milken em 1988 antes de ser preso. Em 2006, ele foi citado como uma das pessoas mais ricas do mundo.
Milken trabalhou para o banco de investimentos Drexel Burnham Lambert e reconheceu as incríveis oportunidades financeiras que vieram com a ascensão dos títulos de risco durante os anos 80. Acreditando que as recompensas superariam as probabilidades de inadimplência, ele aconselhou aos expedidores de títulos que tirassem total vantagem delas, conseqüentemente inflamando a popularidade e o sucesso dos títulos de risco.

Uma das táticas mais bem-sucedidas e controversas de Milken foi a utilização dos títulos de risco para financiar as aquisições hostis de empresas, ou seja, a tentativa de aquisição contra a vontade dessas empresas. Com os títulos de risco, a empresa em aquisição poderia pedir muito dinheiro emprestado com poucos ou nenhum ativos e utilizá-lo na oferta de compra de outra empresa ou alvo relutantes. Acreditando que uma mudança de gerenciamento poderia tornar esses alvos mais lucrativos, a empresa em aquisição poderia utilizar os novos ativos do alvo adquirido para pagar a dívida incorrida para financiar a aquisição.

Esta técnica ofendeu a idéia de muitas pessoas sobre as práticas comerciais justas e gerou muita comoção em torno de Milken. Além disso, os protestantes se opunham às leis de impostos que protegiam essas aquisições hostis. Como os pagamentos de juros sobre o débito eram dedutíveis dos impostos, as empresas podiam facilmente financiar suas aquisições com os títulos de risco.

A loucura dos títulos de risco foi interrompida no fim da década de 80. As taxas de inadimplência aumentaram significativamente e, de repente, os investidores deixaram de comprá-las. Desde então, os investidores têm se voltado para essas seguridades voláteis, mantendo observação ferrenha sobre suas avaliações.

O sucesso de Milken azeda

A carreira bem-sucedida do negociante financeiro Milken acabou azedando quando ele foi acusado de negócios de favorecimento e fraudes de seguridades. Após ser preso e condenado por informação privilegiada, Ivan Boesky, um dos clientes de Milken, o implicou, assim como também implicou a empresa que o contratou, a Drexel Burnham Lambert. Tanto Milken como a empresa receberam multas pesadas e Milken foi sentenciado a 10 anos de prisão (embora tenha cumprido apenas dois). Em 1990, a Drexel anunciou falência. Apesar de uma interdição do ramo dos negócios de seguridades, Milken foi incluído na posição de número 382 na lista da Forbes de 2006 das Pessoas Mais Ricas do Mundo. [fonte: Forbes]. Saiba mais sobre fraudes comerciais "Como funcionam as fraudes contábeis".

Mesmo sem Milken e a Drexel, o mercado de títulos de risco se recuperou, embora ainda não tenha atingido o seu ápice.

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