O rio São Francisco, chamado também de rio da integração nacional por ligar as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, foi descoberto em 1502 pelos portugueses. São 2,7 mil quilômetros que nascem na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e terminam no Oceano Atlântico na fronteira dos Estados de Alagoas e Sergipe. Além dos fios de água da Serra da Canastra, o Velho Chico, como é chamado pelos moradores da região, recebe água de 168 afluentes, sendo que 90 deles são perenes (nunca secam) e outros 78 têm seu fluxo interrompido em determinadas épocas. Às margens do seu leito, vivem cerca de 12 milhões de pessoas espalhadas em 504 municípios numa área de 641 mil km2.
No seu longo caminho para o mar, as águas do São Francisco passam por realidades completamente diferentes geográfica e economicamente. O vai-e-vem do volume de água do Velho Chico é um exemplo. Na sua nascente, o rio recebe muita chuva (índice pluviométrico de 1.900 mm anuais). No meio do seu caminho, no semi-árido, o índice pluviométrico chega a 350 mm anuais. Esses números já podiam mostrar o quanto o rio é prejudicado nas áreas de caatinga. Mas há outro dado que colabora para aumentar ainda mais as diferenças: o ritmo da evaporação. Enquanto na nascente, a índice de evaporação é de 500 mm por ano. Em Petrolina (PE), na cabeceira do Velho Chico, a velocidade de evaporação é muito maior: 2.200 mm por ano.
A navegação no rio também é intermitente, apesar do longo percurso de alguns trechos. No médio São Francisco, entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA) são 1.371 km navegáveis. No baixo São Francisco, são mais 208 km navegáveis de Piranhas (AL) ao Oceano Atlântico.
![]() Agência Brasil/Fábio Pozzebom |
A história do pólo do Vale do São Francisco começou a se delinear nos anos de 1960, quando o governo federal começou os estudos para viabilização de um pólo de agricultura irrigada na região do São Francisco. Na década de 1980, começavam as primeiras atividades. Nos anos 90, a produção se consolidou. Para se ter uma idéia, em 1991, foram produzidas 3,7 mil toneladas de uva. Seis anos depois, a produção anual foi de 19,6 mil toneladas. A maior parte da produção de frutas do Vale vai para exportação. Essa pujança econômica contribuiu para o surgimento de uma classe média significativa nas cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). Ao mesmo tempo, esse crescimento trouxe problemas como a migração de uma classe de pequenos agricultores vítimas da seca. |