A grosso modo, o projeto de transposição do São Francisco é a mudança de parte do curso do rio para uma área com problemas endêmicos de seca. Segundo o governo federal, o Projeto de Integração do Rio São Francisco, nome oficial da transposição, prevê a distribuição de água para cerca de 390 municípios dos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte até 2025.
A transposição pretende retirar 26,4 metros cúbicos por segundo, o que equivale 1,4% da vazão da barragem de Sobradinho que é de 1850 metros cúbicos por segundo. Se o reservatório de Sobradinho verter água, essa vazão pode chegar 63 metros cúbicos por segundo. Essa água será dividida em dois eixos principais - o Leste e o Norte. O primeiro ficará com a vazão de 10 metros cúbicos por segundo e o segundo com 16 metros cúbicos por segundo. A idéia é abastecer grandes açudes já existentes que servem cidades como Castanhão (CE) ou Epitácio Pessoa (PB), perenizar áreas de rios intermitentes como o Apodi, no Rio Grande do Norte, e servir para ajudar na irrigação de plantações em áreas próximas ao Vale do São Francisco.
Com um custo total de R$ 4,5 bilhões, o projeto, que prevê também a revitalização de áreas degradadas da bacia, contará com a seguinte infra-estrutura:
Eixos de integração - são canais de terra, com seção trapezoidal, revestidos internamente por membrana plástica impermeável e recobertos de concreto. São dois eixos de integração: o Norte que segue da Bahia para o Ceará e Rio Grande do Norte e o Leste que passa por Alagoas, Paraíba e Pernambuco. O primeiro terá cerca de 400 km e o segundo, 200.
Aquedutos - espécies de túneis serão usados nos trechos de travessia de rios e riachos. Estão programados 27.
Estações de bombeamento - são equipamentos para passagem da água em áreas com altitude mais elevada. Serão nove estações para bombear água para elevações com até 300 metros.
Barragens - são reservatórios que permitiram o fluxo de água mesmo em horas que não há bombeamento. São cerca de 30.
As obras já estão começando em algumas regiões. Entre 2004 e 2006, foram gastos R$ 194 milhões em obras de revitalização e recuperação do rio São Francisco com o reflorestamento de nascentes e outras áreas e controle de processos erosivos. Para 2007 a 2010, estão programados R$ 1,3 bilhão, oriundos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Em outras palavras, a transposição do São Francisco é prioridade do governo Lula. A obra, no entanto, é criticada por vários setores da sociedade. Os detalhes estão na próxima página.
O vai-e-vem do projeto
Os parâmetros usados atualmente para a transposição do São Francisco
mudaram bastante no decorrer dos anos. Conheça algumas das modificações:
1985
- O projeto previa a captação, em um único canal, de 300 m³/s
destinados à irrigação, sem previsão de revitalização do Rio São
Francisco.
1994 - O projeto previa a captação de 150 m³/s, também para a irrigação e em um único canal, sem revitalização do Velho Chico.
2000 - O governo apresentou uma proposta de captação de 48 m³/s em dois
canais, para uso múltiplo, também sem prever a revitalização do Rio São
Francisco.
Para citar corretamente este artigo do HowStuffWorks por favor copie e cole o texto abaixo:
Luís Indriunas. "HowStuffWorks - Como funciona a transposição do São Francisco". Publicado em 17 de agosto de 2007 (atualizado em 10 de julho de 2008) http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br/transposicao-sao-francisco3.htm (26 de novembro de 2009)