Introdução

Uma imagem estereotípica de um vigarista

Vigaristas ganham dinheiro enganando as pessoas. As mentiras que eles contam e as encenações que criam podem levar as pessoas - especialmente as mais ingênuas e gananciosas - a pensar que estão fazendo um negócio da China, quando na verdade estão é sendo passadas para trás. No Brasil, um dos apelidos do vigarista é 171, referência ao artigo do Código Penal para o crime de estelionato.

Mas qual é a aparência geral dos vigaristas? Ao contrário do que mostram os desenhos animados, ele nem sempre é um personagem sombrio. Pelo contrário, é esperto em assumir a aparência que a situação exige. Se a trapaça envolve bancos ou investimentos, ele vestirá um belo terno. Se envolve enganações sobre reformas na sua casa, ele se vestirá a caráter. Até a concepção básica de que o vigarista é um homem é incorreta: há muitas vigaristas mulheres também.

Você pode achar que consegue identificar um vigarista, pois instintivamente não confiará nessa pessoa. Mas isso contraria as próprias origens da palavra vigarista, que em inglês, "con-artist" não é nada mais que a abreviação da expressão artista da confiança: o que eles fazem de melhor é conquistar a sua confiança, o suficiente para colocarem as mãos no seu dinheiro - e para isso eles podem ser bastante charmosos e persuasivos. Em português, "vigarista" vem de "conto do vigário", termo que descreve genericamente qualquer golpe que consista em contar uma história que pareça verdadeira para arrancar dinheiro de quem a ouve. Um bom vigarista pode até fazer você pensar que ele é um antigo amigo que você não vê há anos.

Entretanto, os vigaristas têm algumas coisas em comum. Mesmo os melhores só podem continuar até o momento em que as pessoas começarem a suspeitar. Por esse motivo, os vigaristas tendem a se mudar com freqüência. Eles podem ter um emprego que os permita fazer isso ou podem alegar ter tal emprego. Trabalhador em ferrovias ou parques de diversões e vendedor ambulante são alguns dos empregos que os vigaristas inventam para justificar suas constantes mudanças. Vem do conto do vigário, um vigarista típico de antigamente se fazia passar por padre. 

A trapaça de um vigarista
Termos diferentes para vigaristas incluem: embusteiro, trapaceiro, velhaco, charlatão, enganador, 171, fraudador, trapaceiro, estelionatário e golpista.

Seria impossível catalogar todos os vigaristas, pois eles são criativos. Enquanto muitos fazem simples variações de truques centenários, as novas tecnologias e leis dão aos vigaristas a oportunidade de criar golpes originais. Muitos deles têm a tendência de cair em algumas categorias gerais, como vigaristas de rua, de negócios, da Internet, de empréstimos e de reformas da casa.

Vigaristas de rua
Essas trapaças acontecem rapidamente e em um local público. Em geral, elas envolvem a perda de pequenas quantias de dinheiro, no máximo algumas centenas de reais. Em geral, a vítima é abordada por um estranho que faz uma oferta, uma aposta ou está reagindo a alguma coisa aparentemente ocasional e não relacionada, que aconteceu próximo dali. É claro que esse acontecimento "ocasional" é algo que o vigarista planejou pensando com bastante antecedência.  

  • Cachorro de raça - um estranho entra em um bar com um cachorro na coleira. Ele pergunta se o dono pode tomar conta do cachorro enquanto faz uma aposta ou participa de uma negociação. Enquanto o estranho não está, um segundo vigarista chega e observa o cachorro. Ele diz ser especialista em criação de cachorros e que aquele cachorro vale muito dinheiro. Pergunta ao dono se o cachorro está a venda, porque ele pagaria muito dinheiro. A trapaça toda depende da ambição do dono do bar. Supõe-se que ele verá a oportunidade de comprar o cachorro do dono inocente por um preço baixo e depois revendê-lo para esse "conhecedor especializado". Ele pede que o especialista volte mais tarde e tenta comprar o cachorro quando seu dono volta. Ele compra o cachorro, mas o "especialista" nunca mais volta para comprá-lo. Os dois vigaristas vão embora com uma boa quantia de dinheiro e o dono do bar fica com um vira-lata. No romance de Neil Gaiman, "American Gods", dois personagens dão esse golpe usando um violino em vez de um cachorro.

    O dono de um bar e um cachorro

  • A queda do pombo - há muitas variações desta trapaça, mas todas elas começam com a vítima e o vigarista localizando alguma coisa valiosa nas redondezas. Normalmente é um envelope ou uma mala cheia de dinheiro, mas também poderia ser um anel de diamantes. O vigarista tenta fazer a vítima ver o envelope primeiro, fazendo-a não desconfiar de que planejou isso. Um segundo vigarista pode se envolver quando a vítima e o primeiro vigarista resolvem dividir o dinheiro encontrado, exigindo uma divisão justa, uma vez que ele também viu o envelope.

Duas pessoas localizando um envelope abandonado, cheio de dinheiro

Nesse momento, os vigaristas vão sugerir que todos coloquem um pouco do seu dinheiro dentro do envelope como um "dinheiro de boa fé", para mostrar que eles são pessoas financeiramente responsáveis. Uma vez que o dinheiro está todo no envelope, ele é dividido em três e devolvido à vítima e aos dois vigaristas, porém através de um truque com as mãos e de uma distração, a vítima pega um envelope cheio de recortes de papel.

No golpe do anel, o vigarista diz ser especialista em avaliação de jóias e diz que o anel vale muito dinheiro, mas, não tendo tempo para vendê-lo ou penhorá-lo, o vigarista sugere que a vítima o compre pela metade do preço. Ela paga, então, o que pode para o vigarista e fica com o "valioso" anel, que na verdade é uma imitação barata. A vítima dessa trapaça é geralmente chamada de "pombo".

Monte de três cartas

  • Monte de três cartas - nesta famosa trapaça de rua, o vigarista tem uma mesa com três cartas na sua frente. Uma carta está virada para cima para mostrar que é o ás de espadas (ou qualquer outra carta). A vítima aposta que consegue prestar atenção nessa carta enquanto o vigarista reorganiza-as rapidamente na mesa. Caso a carta certa seja escolhida, a vítima ganha. Amigos do vigarista participam do jogo, ganhando e perdendo, para dar à vítima a impressão de que se trata de um jogo leal e que ela poderá vencer se tiver o olhar atento. Na verdade, o vigarista é um mestre no truque com as mãos, capaz de trocar cartas sem que a vítima perceba. Não importa quanta atenção ela preste, ela nunca vai escolher a carta certa ao menos que o vigarista permita. Variações incluem o uso de conchas (um "jogo de conchas" às vezes é usado em golpes ilusionistas) ou copos, com a vítima tentando localizar uma moeda de 25 centavos ou uma bola.

Na próxima seção, conheceremos os vigaristas de negócios e da Internet.