Como funciona o Wal-Mart

Autor: 
Caroline Wilbert

O Wal-Mart é mais do que apenas o maior varejista do mundo. É uma força econômica, um fenômeno cultural e o alvo de muitas controvérsias. Tudo começou com uma simples filosofia do fundador Sam Walton: oferecer aos compradores preços mais baixos do que eles pudessem encontrar em qualquer outro lugar. A estratégia básica foi moldada pela cultura do Wal-Mart e levou a empresa ao crescimento.


Imagem 2006 Walmartfacts.com
Supercentro Wal-Mart

Agora que o Wal-Mart é uma rede enorme, ele tem um poder sem precedente para moldar os mercados de trabalho globalmente e mudar o modo que a indústria inteira opera. Neste artigo, você vai aprender as principais razões pelas quais o Wal-Mart tem sido capaz de manter seus preços baixos - tecnologia de ponta, uma cultura corporativa econômica e um impulso para fazer os fornecedores venderem as mercadorias a um preço cada vez mais baixo. Também vamos dar uma olhada no alcance e impacto do Wal-Mart na economia e as controvérsias a respeito deste varejista, bem como o futuro da empresa.


Imagem cedida Amazon
Sam Walton descreveu o início do Wal-Mart em sua autobiografia

Primeiro, vamos começar com uma pequena história. Sam Walton abriu sua primeira loja de produtos populares em 1950. Sua visão era manter os preços mais baixos possíveis. Mesmo se suas margens não fossem tão lucrativas quanto a de seus concorrentes, ele descobriu que poderia compensar em volume. E estava certo.

No início dos anos 60, Walton abriu seu primeiro Wal-Mart em Rogers, Arkansas. A empresa continuou a crescer, ficando pública em 1970 e aumentando as lojas a cada ano. Em 1990, o Wal-Mart superou seu principal rival em tamanho, o Kmart. Dois anos depois, superou a Sears.

Walton continuou a dirigir sua velha pick-up e dividir os quartos de hotel com os colegas em viagens de negócios, mesmo depois que enriqueceu muito com o Wal-Mart. Ele exigia que seus funcionários também mantivessem as despesas o mais baixo possível - uma mentalidade que ainda é o centro da cultura do Wal-Mart, mais de uma década depois da morte de Walton. A empresa continuou a crescer rapidamente depois de sua morte, em 1992, e agora opera em quatro divisões varejistas - os Wal-Mart Supercenters, as lojas de desconto Wal-Mart, as lojas de vizinhança e os depósitos do Sam´s Club.


Imagem 2006 Walmartfacts.com
Uma loja de vizinhança Wal-Mart

Para ter uma noção de como o Wal-Mart é grande hoje, considere estes fatos:

  • o Wal-Mart emprega 1,6 milhões de pessoas. Para você ter uma idéia de quantas pessoas é isso, Idaho, o 39º estado mais populoso nos Estados Unidos, tem uma população de 1,4 milhões de pessoas.
  • o Wal-Mart tinha vendas de US$ 312,43 bilhões em seu ano fiscal de 2005. Em comparação, o segundo maior varejista do país, Home Depot teve vendas de US$ 81,5 milhões.
  • o Wal-Mart tem 6.200 lojas de varejo. Ao contrário de Home Depot, que tem 2.040.

O que fez do Wal-Mart tão grande, poderoso e bem-sucedido? Vamos dar uma olhada em suas estratégias, incluindo sua tecnologia sofisticada, sua cultura corporativa de observar cada despesa e, acima de tudo, sua missão de manter os preços baixos.

O Wal-Mart no Brasil

A rede Wal-Mart chegou ao Brasil em 1995 e tem atualmente mais de 300 lojas espalhadas por 58 cidades, em 17 Estados, empregando diretamente 56 mil pessoas. Além das unidades Wal-Mart Supercenter, dos clubes de compras SAM´s Club e das lojas de vizinhança Wal-Mart Todo Dia, que seguem os padrões internacionais da empresa, a rede adquiriu no país as lojas das redes Sonae - que incluem, entre outras, as bandeiras Mercadorama e Big e Bom Preço, que tem atuação principalmente na região Nordeste. O Wal-Mart está entre as 3 principais redes de supermercado brasileiras, atrás dos grupos Carrefour e Pão de Açúcar. A direção da empresa nos Estados Unidos pretende investir R$ 850 milhões e abrir 28 lojas no Brasil em 2007.

Estratégia Wal-Mart
Vamos começar com a tecnologia. O Wal-Mart impulsionou a indústria varejista a estabelecer o código de barra universal, que forçou os fabricantes a adotarem a rotulagem comum. As barras permitiram aos varejistas gerarem todo o tipo de informação - criar uma sutil mudança de poder dos fabricantes para os varejistas. O Wal-Mart se tornou especialmente bom em aproveitar a informação por trás do código de barras e é considerado um pioneiro no desenvolvimento da tecnologia sofisticada para rastrear seu inventário e cortar o risco de sua cadeia de fornecimento.

Um código de barra universal

Recentemente, o Wal-Mart se tornou o primeiro grande varejista a obrigar os fabricantes a usar tecnologia de identificação de freqüência de rádio (RFID). A tecnologia usa freqüência de rádio para transmitir os dados armazenados em pequenas etiquetas anexadas às etiquetas ou a produtos individuais. As etiquetas RFID armazenam dados mais importantes que os códigos de barras. Durante os primeiros oito meses de 2005, o Wal-Mart diminuiu em 16% as mercadorias sem estoque em suas lojas equipadas com RFID, de acordo com o estudo da Universidade de Arkansas (como relatado na revista Fortune Small Business (em inglês)).


Imagem 2006 Walmartfacts.com
O quartel general do Wal-Mart em Bentonville, AR

A cultura econômica, estabelecida por Walton, também joga com o sucesso do Wal-Mart. A empresa tem sido criticada pelos salários relativamente baixos e os planos de saúde que oferecem para seus funcionários comuns. Também foi acusado de obrigar os funcionários que trabalham por hora e a fazer hora extra sem pagamento. Os gerentes de lojas geralmente trabalham mais de 70 horas por semana. Espera-se que eles economizem cada centavo que possam, mesmo em coisas como aquecimento e refrigeração das lojas. No inverno, as lojas são mantidas a 21º C e, no verão, a 22º C.

Esta cultura também é presente no comando da empresa. O comando do Wal-Mart fica em Bentonville, Arkansas, em vez de ficar em uma cidade cara como Nova York. O edifício é pouco atraente e melancólico. Você não encontrará executivos em limusines e também não os verá chegando às 9h30 da manhã. Os executivos não voam em classes especiais e geralmente compartilham quartos de hotel com colegas. Eles trabalham muitas horas - normalmente chegam ao trabalho às 6h30 da manhã e trabalham meio período nos sábados.

O objetivo principal do Wal-Mart é manter os preços de varejo baixos e a empresa tem sido bem-sucedida nisso. Os peritos estimam que o Wal-Mart economiza para o consumidor pelo menos 15% em uma cesta básica. Tudo, incluindo tecnologia e cultura corporativa, sustenta esse objetivo fundamental de conseguir os preços mais baixos possíveis. O Wal-Mart também pressiona seus fornecedores, alguns dizem que sem piedade, para que baixem os preços. Em "O Efeito Wal-Mart", o autor Charles Fishman discute como o preço de um pacote com quatro lâmpadas GE baixou de US$ 2,19 para 88 centavos durante um período de cinco anos.

Um artigo de 2003 do Los Angeles Times (parte da série vencedora do prêmio Pulitzer sobre o Wal-Mart) conta sobre Celia Clancy, funcionária encarregada do setor de roupas, que exigiu que o fornecedor reduzisse os preços ou aumentasse a qualidade a cada ano em cada item. Esta filosofia é conhecida como "mais um".

A seguir, vamos ver a força do Wal-Mart e as controvérsias a seu respeito.