Força e controvérsia

Por causa de seu tamanho, o Wal-Mart tem um poder incrível. Isso levou pequenos varejistas a saírem do negócio, forçou fabricantes a serem mais eficientes - às vezes levando estes fornecedores a sair do país - e mudou o modo até mesmo das indústrias grandes e estabelecidas fazerem negócios.


Imagem 2006 Walmartfacts.com
Às vezes, o Wal-Mart altera o padrão do projeto da loja para se adequar à comunidade, como fez com esta loja de desconto em
Baldwin Park, CA

Há sempre aquele comentário gozador de que um novo Wal-Mart na cidade significa ruína para farmácias, mercados, lojas de artigos esportivos locais, etc. O economista Emek Basker, Ph.D., tentou quantificar o impacto. Seu estudo descobriu que em uma região específica dos Estados Unidos, quando um Wal-Mart abre, três outros varejistas fecham dentro de dois anos e qautro fecham dentro de cinco anos. Enquanto o Wal-Mart pode empregar 300 pessoas, outras 250 pessoas que trabalham no varejo perdem seus empregos dentro de cinco anos naquele país.

Os fornecedores também sofrem um grande impacto com o Wal-Mart. Gary Gereffi, professor da Duke University que estuda as cadeias de fornecimento global, falou sobre isso em uma entrevista para a PBS: (em inglês) 

O Wal-Mart tem decisões de vida ou morte sobre (quase) todas as indústrias de bens de consumo que existem nos Estados Unidos, porque é o número 1 dos fornecedores varejistas da maioria dos nossos bens de consumo - não apenas roupas, calçados, brinquedos, mas eletrodomésticos, produtos eletrônicos, produtos esportivos, bicicletas e gêneros alimentícios.


Imagem 2006 Walmartfacts.com
Um centro de distribuição Wal-Mart
As histórias sobre como o Wal-Mart pressiona os fabricantes a venderem o mesmo produto a preços cada vez mais baixos são lendárias. Um exemplo é Lakewood Engineering and Manufacturing Co. em Chicago, um fabricante de ventilador. No início dos anos 90, um ventilador de 50 cm custava US$ 20. O Wal-Mart fez com que o fabricante reduzisse o valor e Lakewood respondeu automatizando o processo de produção, o que significou dispensa temporária de empregados. Lakewood também atormentou persistentemente seus próprios fornecedores para reduzirem os preços das peças. Então, em 2000, Lakewood abriu uma fábrica na China, onde os funcionários ganhavam 25 centavos por hora. Em 2003, o preço do ventilador no Wal-Mart tinha caído para cerca de US$ 10.

Então qual é a posição do Wal-Mart quanto à terceirização? Você pode ter ouvido que o Wal-Mart manda as empresas para fora do país, mas lembre-se também de que o Wal-Mart uma vez fez uma campanha "Compra América". Veja como a discrepância se resolve.

Em 1985, Walton lançou o programa "Bring it Home to the USA" ("traga aos Estados Unidos"), oferecendo pagar aos fornecedores 5% mais pelos produtos feitos nos Estados Unidos. Entretanto, esta filosofia ficou esquecida nos anos 90, enquanto o Wal-Mart se juntava a outros varejistas na tentativa de encontrar as fontes mais baratas de produção ao redor do mundo. Em 1995, o Wal-Mart disse que 6% do total de suas mercadorias eram importadas. Uma década depois, os peritos estimavam que o Wal-Mart importava cerca de 60% de suas mercadorias.

O impacto do Wal-Mart se estendeu para além de apenas pequenos fornecedores. Afetou até mesmo empresas grandes e estabelecidas como a Coca-Cola e a Pepsico. Sob um pedido do Wal-Mart, a Coca-Cola e suas grandes engarrafadoras anunciaram que estavam mudando o modo como entregavam o PowerAde nos Estados Unidos, alterando o método de distribuição básico para as bebidas que aconteciam por mais de um século. Agora a Coca-Cola também permite que o Wal-Mart entre no processo de pesquisa e desenvolvimento. Em 2005, a Coca-Cola planejou lançar uma nova Coca Diet chamada Coke Zero. A pedido do Wal-Mart, o nome foi mudado para "Diet Coke com Splenda" e foi lançado um novo produto separado chamado Coke Zero. Este tipo de envolvimento de varejista não era ouvido na Coca-Cola há uma década. A Pepsi também apareceu com uma linha de bebidas diet, chamada Slice One, para inicialmente ser vendida com exclusividade no Wal-Mart.

A controvérsia
O Wal-Mart é uma força polarizadora. As controvérsias envolveram uma grande variedade de tópicos, desde vendas de armas no Wal-Mart até as políticas ambientais da empresa, o tipo de plano de saúde que era oferecido para os funcionários e a terceirização de trabalhos. Nesta seção, vamos explorar duas das maiores áreas de controvérsias: as práticas trabalhistas da empresa e o impacto do Wal-Mart na economia americana.

O Wal-Mart enfrentou muitos problemas trabalhistas. É um lado negro da sua cultura de economia. No final de 2005, a empresa enfrentou dezenas de processos nos Estados Unidos porque não teria pago hora extra aos funcionários. O Wal-Mart também foi acusado de discriminar funcionários, impedir seus esforços de formar sindicato e não fornecer um plano de saúde decente.


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Embaixador Andrew Young com Lawrence Jackson, vice-presidente executivo da divisão de recursos humanos do Wal-Mart, Lee Scott, presidente e CEO das Lojas Wal-Mart, Inc.

Nem todos falam mal do Wal-Mart. Andrew Young, ex-embaixador das Nações Unidas e ex-prefeito de Atlanta, lidera um grupo apoiado pelo Wal-Mart para divulgar uma mensagem positiva sobre a empresa. "Você precisa olhar para quem reclama sobre o Wal-Mart", Young disse ao USA Today em março de 2006. "Se não são as 100 milhões de pessoas que compram lá todas as semanas e não são as 8 mil pessoas competindo por 500 vagas de emprego [na nova loja de Atlanta], quem são? Elas estão reclamando porque estão erradas e não entendem que terminar com a pobreza significa gerar riqueza e não apenas lutar para redistribuir a riqueza existente".

Há debates calorosos sobre se o Wal-Mart é bom para a economia americana e economistas respeitados e bem embasados se dividem entre os prós e contras. Alguns dizem que é bom porque a empresa mantém os preços baixos, tanto nas lojas como em outros varejistas. Outros argumentam que o Wal-Mart é ruim para a economia porque leva os varejistas concorrentes a saírem do negócio e força os fabricantes a se mudarem para outros países para manter as despesas baixas.


A renda anual do Wal-Mart não mostra nenhum sinal de desaceleração

Os críticos dizem que o Wal-Mart pode apenas empurrar os preços para baixo e que a empresa já pode ter chegado ao limite. Eles também dizem que o país está saturado com lojas do Wal-Mart. 90% da população dos Estados Unidos já vive dentro de um raio de 24 km do Wal-Mart, de acordo com Charles Fishman. 

Também, o crescimento do Wal-Mart nas vendas de mesma-loja desacelerou nos últimos anos. As vendas de mesma-loja, uma medida chave na indústria de varejo, mede as vendas do ano atual contra o ano anterior nas lojas abertas há pelo menos 1 ano.

A Target, embora muito menor, está atualmente aumentando suas vendas na mesma-loja mais do que o Wal-Mart. A Target não é apenas concorrente no preço - pelo contrário, ela vende estilo por um bom preço. As vendas mesma-loja do Wal-Mart cresceram, em média, 3,6% ao mês no ano fiscal de 2005, comparado com os 5,8% de lucro da Target, de acordo com os Conselhos Internacionais dos Centros Comerciais (em inglês) (como relatado no New York Times).


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Supercentro Wal-Mart na China

Alguns peritos discordam que o Wal-Mart tenha chegado ao ponto máximo, argumentando que o Wal-Mart pode sempre entrar em novos segmentos de varejo. Além do mais, ele não vendia inicialmente gêneros alimentícios e agora esta é a grande parte do negócio da empresa. O Wal-Mart também tem muita oportunidade de crescimento no mercado internacional.

Para mais informações sobre o Wal-Mart e assuntos relacionados, verifique os links na próxima página.

Um breve cronograma do Wal-Mart
  • 1950: Walton abre sua primeira loja five-and-dime (artigos a 5 e 10 cents)
  • 1962: Walton abre o primeiro Wal-Mart em Rogers, Ark
  • 1970: Wal-Mart tem IPO
  • 1979: Vendas anuais acima de US$ 1 bilhão
  • 1985: Wal-Mart tem cerca de 880 lojas e US$ 8,5 bilhões em renda, menos que os concorrentes Kmart e Sears
  • 1990: Wal-Mart supera o Kmart em tamanho
  • 1991: Wal-Mart abre a primeira loja internacional na Cidade do México
  • 1992: Wal-Mart supera a Sears em tamanho; Sam Walton morre
  • 1994: Wal-Mart supera em tamanho a Kmart e a Sears juntos